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Estudo buscou avaliar a prevalência de alteração da fala em pessoas com fissura labiopalatina

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A fissura labiopalatina (FLP), popularmente conhecida como “lábio leporino”, é uma malformação congênita que ocorre durante a gestação, acometendo uma a cada 650 crianças no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Amazonas, uma pesquisa desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeam) buscou traçar um perfil dos resultados da fala de pessoas com casos de FLP na Amazônia, após palatoplastia (procedimento cirúrgico) primária e secundária, considerando suas limitações, dificuldades geográficas e sociais.

Intitulado “Prevalência de alterações de fala em indivíduos com fissura labiopalatina da Região Amazônica”, o estudo é resultado da tese de doutorado da fonoaudióloga, doutora Laryssa Lopes de Araújo, sob orientação da professora doutora Ana Paula Fukushiro da Universidade de São Paulo (USP), desenvolvida em parceria com o Laboratório de Fisiologia do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP e a Policlínica Governador Gilberto Mestrinho, no bairro Centro, em Manaus. O estudo foi apoiado pelo Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG-Capes/Fapeam).

O trabalho permitiu concluir que os indivíduos com FLP da região amazônica apresentam, em sua maioria, alterações de fala após a palatoplastia. “Piores resultados de fala foram observados entre os pacientes oriundos de regiões mais distantes da capital, com classificação socioeconômica baixa, com idade da palatoplastia primária superior a três anos. Também foi possível observar melhores resultados de fala em indivíduos operados no atual serviço, pois estão sendo operados em idade adequada (ou mais próximo dela)”, relata.

Trata-se de um estudo pioneiro envolvendo todas as variáveis da reabilitação do indivíduo com FLP na região amazônica. Os resultados obtidos, com base em evidências científicas, devem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas, a fim de aprimorar e ampliar o serviço oferecido, para que todos os indivíduos com FLP possam ser contemplados com a reabilitação, ressalta a pesquisadora.

As cirurgias reparadoras primárias devem ser realizadas, preferencialmente, no primeiro ano de vida. Preconiza-se que a queiloplastia primária, cirurgia de reconstrução da fissura labial, seja realizada entre os 3 e 6 meses de vida, e a palatoplastia primária, cirurgia que reconstrói a anatomia do palato, realizada aos 12 meses de idade. É comum que necessitem de cirurgias secundárias, para correção estética e funcional explica a fonoaudióloga.

Aplicabilidade – O estudo foi realizado com 420 pessoas com FLP, de ambos os sexos, com idades de 4 a 57 anos. Os pacientes foram submetidos a gravação de fala em sistema de áudio e, posteriormente, foi realizada análise criteriosa de três fonoaudiólogas experientes na avaliação de fala em FLP. Elas julgaram diferentes estímulos de fala, a fim de classificar o grau de hipernasalidade e a presença ou ausência de sintomas ativos da fala, mais conhecidos como articulações compensatórias.

Realizou-se também uma análise dos prontuários com o objetivo de fazer um levantamento dos aspectos sociodemográficos, entre eles: procedência (Manaus capital, interior do Amazonas ou outro estado), classificação socioeconômica, tipo de fissura, sexo, serviço no qual o paciente realizou as cirurgias primárias, técnica cirúrgica utilizada nas cirurgias de palato primária e secundária, idade na ocasião das cirurgias primárias e secundárias de palato e idade na ocasião das avaliações de fala.

Serviços – O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (Susam), em parceria com Smile Train, uma instituição filantrópica com enfoque de casos de fissura de lábio e/ou palato, realizam os serviços de reabilitação cirúrgica, fonoaudiológica e ortodôntica dos indivíduos que possuem casos de fissura labiopalatina na região. Atualmente, as cirurgias de correção da malformação são realizadas semanalmente no Hospital Infantil Dr. Fajardo, no Centro de Manaus, referência na rede pública no procedimento.

Os atendimentos cirúrgicos e ambulatoriais aos pacientes com fissuras labiopalatinas são realizados na instituição pública Policlínica Governador Gilberto Mestrinho. Encontram-se cadastrados nesse serviço aproximadamente 1.089 pacientes, sendo recebidos semanalmente uma média de 5 casos novos, oriundos de diferentes estados da região amazônica. Considerando a prevalência de 1.650 nascimentos, estima-se que as FLP acometeriam 6.251 de pessoas no estado do Amazonas e 3.277 pessoas em Manaus, afirma Laryssa Lopes.

A pesquisadora destaca que o andamento desse serviço é fundamental aos pacientes e familiares, uma vez que, há alguns anos, as famílias tinham que enfrentar longas horas de viagens, com necessidade de recursos para terem acesso à reabilitação em outras regiões do Brasil.

“Prova disso é o elevado número de pacientes da região matriculados no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC-USP, em Bauru-SP). De acordo com dados fornecidos pelo Serviço de Informação Hospitalar do hospital (comunicação pessoal, março/2017), mais de 3.500 pacientes da região Norte recebem ou já receberam tratamento no HRAC-USP”, conta.

Programa – O Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG-Capes/Fapeam) tem como objetivo conceder bolsa de mestrado e doutorado firmado entre a Fapeam e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), sendo destinado à formação de recursos humanos pós-graduados em nível de mestrado e doutorado em programas de pós-graduação Stricto Sensu (PPGSS) recomendados pela Capes em outros estados da Federação, em áreas estratégicas nas quais o Amazonas ainda não possui programas de pós-graduação em nível de mestrado ou doutorado.

FOTO: Érico Xavier

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