A equipe médica do centro cirúrgico da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (Susam), realiza, nesta sexta-feira (05/10) pela manhã, uma cirurgia em paciente com câncer raro de apêndice. O procedimento para esse tipo de neoplasia é raro e só foi realizado uma vez na unidade hospitalar, que é referência na região Norte para o tratamento de câncer.

O procedimento cirúrgico será para o tratamento de um câncer de apêndice cecal (pequeno órgão tubular parecido com o dedo de uma luva, localizado na região inferior do abdômen; faz parte do sistema digestório). Essa doença é tida como rara para o tipo de tumor (de muco) encontrado na paciente, o qual corresponde apenas a 1% dos casos de cânceres gastrointestinais. Eles são chamados de casos incidentais ou achados incidentais, que é quando o médico identifica no exame do paciente algo não relacionado ao diagnóstico pesquisado. No caso da paciente, foi encontrado durante um procedimento cirúrgico ginecológico realizado na Fundação.

A equipe médica será composta pelos médicos Carlos Valdivia Sanz, Alan Tavares e Amanda Abreu; enfermeiros Graça Gondim, Neilane Macedo e Pedro Paulo Oliveira, anestesista André Franco, além dos técnicos em enfermagem Adria Makaren e Fabíola de Paula.

Segundo o médico cirurgião oncológico Carlos Valdívia, o tumor está localizado na parte do peritônio (membrana que recobre as paredes do abdômen e dos órgãos intestinais). Ele disse que a paciente já foi operada do tumor de apêndice e foi feita também a retirada de uma porção do intestino grosso. Todavia, apareceram indícios de que a doença se encontrava no peritônio. “Trata-se de uma cirurgia de alta complexidade, porque durante o procedimento os tumores visíveis aos olhos serão ressecados, retirados. Em seguida, será realizado um tratamento intraperitoneal. É uma quimioterapia diretamente nas vísceras, intestino, como se fossem ‘lavados’. Acreditamos nas chances de cura da paciente, uma vez que apresenta bom quadro clínico”, explicou.

Para realização desse tipo de procedimento, o paciente passa por um processo criterioso, no qual são avaliados o quadro clínico e as chances de cura. “No caso da paciente é uma lesão de apêndice de baixo grau. Fizemos exames que não identificaram metástase, o que leva a crer que um tratamento agressivo possa curá-la”, afirmou.

Pós-operatório – Conforme o médico, não há como definir o tempo de recuperação do pós-operatório, devido à complexidade da cirurgia, uma vez que envolve variáveis, por exemplo, como o organismo da paciente irá responder ao quimioterápico aplicado diretamente nos órgãos e resposta à anestesia.

Câncer de apêndice – O câncer de apêndice é raro. Segundo a literatura, a maioria dos tumores não apresenta sintomas clínicos (são achados incidentais) e representa apenas 10% de neoplasias de apêndice.

De acordo com o médico, o câncer de apêndice é parecido com uma apendicite (inflamação do apêndice). Normalmente, os pacientes apresentam dores, vômitos, náuseas, perda do apetite e febre. Entretanto, vale lembrar, especificamente, que os tumores mucinosa (de muco) gastrointestinais correspondem apenas a 1%.

FOTO: DIVULGAÇÃO/SUSAM

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