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Fotógrafa cadeirante destaca dificuldades de pessoas com deficiência serem aceitas no mercado de trabalho

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Em época de vestibular, Maria Paula Vieira, que se destacou como fotógrafa voltada para a inclusão e empoderamento, pontua que já existe uma aceitação para PCD, mas que ainda há muita exclusão por parte da sociedade

Cadeirante desde os 13 anos, Maria Paula Vieira, fotógrafa, modelo e atriz, tem uma agenda agitada. Apesar das limitações físicas, a jovem, de apenas 26 anos, conseguiu conquistar o seu espaço ao sol ao se especializar em ensaios voltados para o empoderamento da mulher, para a inclusão e para a família.

Apesar de ter alcançado o sucesso com seus cliques inspiradores, Maria Paula admite que nem todo jovem consegue galgar o seu espaço no mercado de trabalho e atribui especialmente aos preconceitos da sociedade.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em 2018, por exemplo, somente no Estado de São Paulo, havia um total de 325.785 de vagas que deveriam ser destinadas à pessoa com deficiência. A meta, no entanto, não foi cumprida e apenas 151.766 foram preenchidas, ou seja, 46.58%, abrindo um déficit de 174.019, o equivalente a 53.42%.

“Sobre o mercado de trabalho, a questão não é falta de vagas, mas ausência de opções. Há muitas vagas nas áreas administrativas e call center, mas e nas outras áreas? Qualquer pessoa com deficiência pode prestar vestibular, se formar e exercer a profissão! Por que limitam nossas escolhas?”.

E esse cenário continua sendo de luta, as cotas que as empresas são obrigadas a cumprir podem ter mais folga na lei. Recentemente foi encaminhado para o Congresso a PL 6.159/2019 que traz impactos à empregabilidade das pessoas com deficiência, que conquistaram o direito ao trabalho depois da Lei 8.213 de 1991. As empresas terão opção de pagar para um fundo de reabilitação, invés da contratação, “algo que exclui ainda mais a pessoa com deficiência do mercado e do convívio social”, cita a fotógrafa.

Para Maria, atualmente sua principal limitação não é o fato de ela se locomover por meio de uma cadeira de rodas, e sim a maneira como a deficiência é encarada.

“A todo instante há uma exclusão pela socidade. Seja em mídia, revistas ou, mesmo, na própria realidade do dia a dia”, explica, frisando a necessidade de ter mudanças de pensamento e estereótipos.

Para a profissional, as barreiras físicas de acessibilidade existem, mas a principal mudança vem do olhar humanizado das pessoas. “A arquitetura das cidades dificultam acesso, claro, mas as pessoas ainda têm atitudes capacitistas, colocando a pessoa com deficiência como incapaz. E pelo contrário, somos muito capazes, desde que tenhamos espaço e oportunidades iguais”, pontua.

Paixão pela fotografia e excelência

Não há barreiras, desde que iniciou no ramo da fotografia, a fotógrafa leva arte e inclusão para a sociedade.

“Minha paixão é fotografar pessoas, conhecer suas histórias e elas a minha. Por isso, digo: A fotografia se tornou para mim não só uma paixão, mas também uma forma de me mostrar para o mundo”, finaliza.

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