FVS realiza projeto-piloto de combate à malária na Comunidade Jacamim

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), órgão da Secretaria de Estado da Saúde (Susam), começa a executar, nesta semana, projeto-piloto para testar o uso de telas impregnadas com inseticidas de longa duração, para o controle da malária. A ação iniciará pela comunidade Jacamim, situada no quilômetro 15 da BR-174 e depois será ampliada para outras localidades.

A comunidade Jacamim é considerada prioritária, pelas condições ambientais e ecológicas, próxima a criadouros naturais, o que favorece o contato com o mosquito transmissor da doença. No local, vivem 60 pessoas, em 40 residências. Todas as casas receberão as telas.

Um dos critérios de escolha da comunidade foram as ocorrências de malária entre 2017 e 2018. Em Jacamim houve 146 registros da doença em 2018, contra 118 em 2017. Uma pessoa pode pegar a doença inúmeras vezes.

Parceria – O “Projeto para Avaliar a Efetividade do uso de Telas Impregnadas com Inseticidas de Longa Duração (TILDs) para o controle da Malária” tem a parceria do Ministério da Saúde. O diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, esclarece que o objetivo principal é contribuir para o desenvolvimento de novas ferramentas para o controle da transmissão da malária no Estado.

“Essa experiência na comunidade de Jacamim servirá também para capacitar os técnicos da FVS-AM, para a ampliação do projeto, alcançando o município de Barcelos, nas comunidades do Rio Unini, Novo Airão, na comunidade de Tambor, além de São Gabriel da Cachoeira”, antecipou o diretor.

O projeto terá a duração de um ano, informa Bernardino. “Iniciamos a ação em plena sazonalidade da doença, que é o segundo semestre do ano. As expectativas são de que esta proposta atue de forma complementar para a contenção da doença na localidade”, ressaltou.

Novas metodologias – Segundo chefe de Departamento de Vigilância Ambiental da FVS – AM, Cristiano Fernandes, o projeto foi enviado ao Ministério da Saúde, que forneceu os rolos de telas impregnadas. Como contrapartida, a FVS-AM ficou responsável pela realização do estudo, que irá contribuir para o desenvolvimento de novas metodologias para o controle da Malária.

“Outra importante contribuição neste estudo será o uso das telas como barreira física para evitar agressões por morcegos hematófagos, em comunidades com esse tipo de ocorrência. A proposta inicial contempla cerca de 40 residências, que receberão as TILDs nas janelas e portas e o monitoramento será feito em etapas, durante um ano”, explica Fernandes. A expectativa é que, na comunidade de Jacamim, seja concluída a instalação das telas no intervalo entre os dias 17 a 21 de setembro.

Cristiano salienta que técnicos da FVS-AM visitaram a comunidade Jacamim, quando realizaram entrevista com os moradores para avaliar o conhecimento e práticas relacionados à malária, que incluiu o ciclo do mosquito transmissor, bem como o modo de transmissão. “Na primeira etapa, foram feitas reuniões para a adesão ao projeto, pelos comunitários, e a avaliação do conhecimento da população frente à doença. Esta etapa é fundamental para que possamos avaliar e valorizar o conhecimento local antes e depois do projeto”, explicou.

Histórico da doença- A malária apresentou queda no Estado entre os anos de 2005 e 2016, quando as notificações reduziram de 167.018 para 45.476 casos. Observa-se o crescimento da doença em 2017, quando foram registrados cerca de 80 mil casos, entre janeiro e dezembro. Em 2018, no acumulado dos últimos oito meses, o Amazonas apresentou queda de 2,8%, em comparação ao mesmo período do ano passado. Até agosto deste ano, foram registrados cerca de 49.111 casos, contra 50.547 no ano passado. A incidência da doença é elevada em municípios do Alto Rio Negro, região onde o Governo do Estado decretou situação de emergência.

Balanço parcial – Entre os municípios com maior número de casos em 2018 estão São Gabriel da Cachoeira (10.884), Manaus (5.960), Barcelos (3.010), Tefé (2.881), Coari (2.130), Lábrea (2.069), Santa Izabel do Rio Negro (1.953), Guajará (1.655), Carauari (1.506), Atalaia do Norte (1.318), Tapuá (1.193), Jutaí (1.196), Presidente Figueiredo (1.071), Iranduba (1.048) e Rio Preto da Eva (994).

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