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Gestores, comunitários e cientistas realizam seminário para comemorar os 36 anos do Parque Nacional do Jaú

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· Evento vai discutir conservação de recursos naturais na bacia do Rio Negro.

Os responsáveis pelo Parque Nacional do Jaú, uma das mais importantes e históricas unidades de conservação da Amazônia, realizam na próxima semana, em Manaus (AM), um seminário especial para comemorar os 36 anos de existência daquela área protegida.

O evento vai ocorrer nos dias 25, 26 e 27, no auditório do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), na Zona Oeste da capital amazonense. Ele vai reunir gestores, pesquisadores, cientistas e representantes de populações tradicionais – que farão um balanço das atividades realizadas ali até hoje e vão pensar em como promover um futuro sustentável para aquela unidade de conservação.

Este seminário marca também o início do processo de revisão do plano de manejo do Parque Nacional do Jaú. O plano de manejo é um documento oficial que diz o que pode e o que não pode ser feito dentro de uma área protegida. Ele fala, entre outros temas, de turismo, pesquisa, exploração de recursos naturais. Ele serve como documento orientador que mostra como aquela área protege a natureza e a biodiversidade.

Continuidade

Chefe do Parque Nacional, Mariana Macedo contou que a ideia do seminário é permitir que a sociedade se manifeste sobre os rumos que quer dar àquela área.

“O Jaú tem um histórico com essa questão da gestão participativa, de trazer as pessoas para o processo, para ajudar a pensar as atividades e o futuro do Parque. Quando surgiu a ideia do seminário, ficamos bem felizes porque entendemos que desta maneira damos continuidade a essa história”, declarou a servidora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (IMCBio).

Investigar

Coordenador-executivo da Fundação Vitória Amazônica (FVA), Fabiano Silva afirmou que o seminário será uma oportunidade de aprofundamento nas questões técnicas e científicas envolvidas na gestão de uma área de mais de 2 milhões de hectares.

“Hoje precisamos investigar mais e aprofundar o conhecimento que temos da região. E fazer isso como sempre fizemos, de modo participativo, de “baixo para cima”, sempre levando em consideração o conhecimento tradicional, é muito gratificante”, afirmou.

A FVA é uma das organizações não-governamentais mais presentes na região desde a década de 90. Foram seus técnicos e pesquisadores que desenvolveram o primeiro plano de manejo participativo da história das Unidades de Conservação do Brasil – justamente no Parque Nacional do Jaú – e contribuindo posteriormente com a mobilização para a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini, que faz divisa com o Jaú.

Para a analista de conservação do WWF-Brasil, Jasylene Abreu, o Parque Nacional do Jaú é um símbolo em relação às questões de participação social.

“O Jaú é um exemplo de unidade de conservação que tem conseguido mostrar ao mundo que a convivência entre gente e natureza, desde que ordenada e planejada, é possível. Além disso, foi o primeiro Parque Nacional brasileiro a elaborar seu plano de manejo considerando as populações locais e envolvendo-as na elaboração deste documento”, disse Jasylene.

Importância

O Parque Nacional do Jaú foi criado em setembro de 1980 para proteger um território de 2,3 milhões de hectares na região do médio Rio Negro.

Seu objetivo é proteger a bacia inteira de um rio de águas doces e pretas, o rio Jaú. Quando foi criado, o Parque Nacional do Jaú era a maior unidade de conservação brasileira – seu território era maior que todas as unidades de conservação do Brasil inteiro juntas.

Histórico participativo

Além disso, o Jaú foi a primeira área protegida brasileira a incluir, no planejamento e gestão de florestas extensas contínuas, as populações tradicionais, ideia que sofreu forte resistência na época – basta lembrar que, na década de 80, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) não incluía populações como as indígenas, quilombolas e ribeirinhas em suas reuniões, consultas, planos e atividades.

Essa história toda é muito importante para o movimento ambientalista e conservacionista da Amazônia brasileira: as experiências do Parque Nacional do Jaú em gestão de grandes extensões de floresta e de promoção da participação social, por exemplo, serviram de subsídio para o programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

O Arpa se vale dessas experiências para hoje apoiar a gestão de 114 unidades de conservação no Brasil e garantir a conservação de cerca de 59,2 milhões de hectares.

Reconhecimento

O Parque Nacional do Jaú também apresenta, em seu território, formações geológicas muito antigas – que datam de 100 a 500 milhões de anos atrás; assim como sítios arqueológicos e diversas inscrições antigas em pedras, conhecidas como petroglífos.

Por tudo isso, o Parque foi reconhecido pela Unesco – o “braço” da Organização das Nações Unidas (ONU) que cuida de cultura, ciência e educação – como Sítio do Patrimônio Mundial Natural e Reserva da Biosfera: dois títulos que reconhecem aquela área como um lugar especial e relembram a necessidade de conservá-la.

WWF no Parque Nacional do Jaú

A bacia do rio Negro – um dos mais importantes rios da Amazônia – tem sido uma das áreas mais intensas de atuação do WWF no Brasil. Antes mesmo de tornar-se uma organização brasileira (com o “WWF-Brasil”), a Rede WWF já atuava na área, financiando pesquisas e apoiando a criação de áreas protegidas naquela região.

Junto de diversas outras organizações, como a FVA, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); e apoiando iniciativas como o Programa de Gestão de Florestas Tropicais e o Janelas para a Biodiversidade, o WWF ajudou na conservação daquela área e na proteção daqueles recursos naturais.

Entre outros resultados, são fruto deste trabalho a criação do primeiro plano de manejo do Parque Nacional do Jaú; a criação da Reserva Extrativista (Resex) do Unini; e a realização de várias expedições científicas, promovidas na década passada, para a colheita de informações sobre a biodiversidade da bacia do rio Negro.

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