Governo amplia vagas para hemodiálise em Manaus

A Secretaria Estadual de Saúde (Susam) vai abrir, nos próximos dias, mais 200 novas vagas para hemodiálise. A ampliação do serviço é uma das medidas previstas no Plano Estadual de Atenção ao Paciente com Doença Renal Crônica, que está em fase de implantação pelo órgão.

O secretário estadual de Saúde, Orestes Guimarães de Melo Filho, adianta que outras 180 vagas deverão ser abertas até o final deste ano, com a meta de atender 100% da demanda pelo serviço, no Estado.

De acordo com a coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, Liliana Lima Melo, da Susam, as novas vagas serão disponibilizadas por meio de convênio com a Clínica Pronefro, que hoje atende a 212 pacientes, ampliando a capacidade para 412.

Atualmente, segundo Liliana, 941 pacientes realizam Terapia Renal Substitutiva (TRS) no Amazonas, sendo 869 em hemodiálise e 72 em diálise peritoneal. O primeiro, explica ela, é realizado em clínicas ou hospitais especializados, conforme a necessidade de cada paciente. Já o segundo, é feito via cateter e pode ser realizado em casa. Este último serviço também terá sua oferta ampliada. Será implantado para pacientes que moram no interior do Estado, assim não precisarão vir para a capital. “Só estamos aguardando parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) para seguir em frente com o processo”, afirmou.

A coordenadora da Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas conta, ainda, que será implantado dois ambulatórios pré-dialíticos, para acompanhamento dos primeiros estágios da doença renal, antes que evolua para a fase crítica, que necessita de diálise ou transplante. A Susam, reforça ela, já está com o serviço em processo de habilitação junto ao Ministério da Saúde (MS).

Liliana destaca que, também está no MS, o processo para habilitação da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) para realização de diálises. Embora a instituição já ofereça este tipo de procedimento, o objetivo é que a unidade receba recursos do MS para garantir a assistência prestada. “Hoje, considerando a necessidade, o Estado que custeia o tratamento contínuo de pacientes renais crônicos, atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na Fundação Adriano Jorge”, disse.

Além da FHAJ, dentro da rede de saúde pública, o serviço continuado é ofertado através de convênios da Susam com quatro unidades particulares – Hospital Santa Júlia, Clínica Renal de Manaus, Centro de Doenças Renais e Clínica do Amazonas e Clínica Pronefro. Além disso, ainda tem os hospitais e prontos-socorros que realizam hemodiálise nos pacientes renais crônicos que estão na fila de espera para tratamento.

A hemodiálise é um procedimento que permite a filtração do sangue, eliminando o excesso de toxinas, sais minerais e líquidos nas pessoas que possuem insuficiência renal grave. O tratamento é indicado pelo nefrologista e, geralmente, é feito pelo paciente por toda a vida. Por isso, a necessidade constante de ampliação de vagas. A melhora completa se dá apenas por meio do transplante dos rins.

Transplante – Liliana Lima Melo ressalta que o Governo do Estado está retomando o transplante de rins, procedimento que foi suspenso em 2016, em gestão anterior. As cirurgias serão realizadas, a partir de novembro deste ano, no Hospital e Pronto-Socorro da Zona Norte, que passará a operar com toda sua capacidade instalada.

Competências definidas – O Plano Estadual de Atenção ao Paciente com Doença Renal Crônica foi aprovado em novembro do ano passado, já na atual gestão, que assumiu em outubro. O plano prevê o planejamento de ações por parte do Estado e dos municípios para o prazo de cinco anos.

A secretária executiva Adjunta de Atenção Especializada da Capital (SEA), Joselita Nobre, da Susam, aponta que é de competência do Estado oferecer atendimento de Média e Alta Complexidade, o que, neste caso, significa as Terapias Renais Substitutivas e os ambulatórios pré-dialíticos. Já aos municípios cabem as ações de promoção e prevenção das doenças crônicas. Ela destaca a importância de fortalecimento da Atenção Básica, nos municípios, para melhorar a assistência ao paciente hipertenso e diabético, garantindo, dessa forma, o retardamento de complicações renais.

Ela lembra que um dos principais fatores de risco para doença renal crônica é a diabetes e a hipertensão, ambas cuidadas na Atenção Básica. “O problema é que quando o paciente chega até a atenção secundária e terciária já passou por período de complicações orgânicas que, muitas vezes, é irreversível. Precisamos que a Atenção Primária dê atenção total a esses pacientes, para que retarde as complicações da doença renal, de forma a diminuir o número de pessoas que necessitam fazer hemodiálise. O Estado está promovendo um grande avanço no atendimento especializado, com a ampliação de vagas de hemodiálise, de diálise peritoneal e retorno do transplante de rim, mas é essencial que se fortaleça a Atenção Básica”, frisou.