Grandes nomes da bioeconomia Amazônica debatem avanços do desenvolvimento sustentável e investimentos na região

A primeira semana do Fórum de Inovação em Investimento na Bioeconomia Amazônica (F2iBAM) foi encerrada nesta sexta-feira (18). Em cinco dias de evento aconteceram nove painéis que apresentaram diferentes perspectivas da bioeconomia na Amazônia através de pesquisas e exemplos reais.

Na abertura do fórum, que aconteceu na segunda-feira, dia 14, a secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas, Tatiana Schor, a diretora executiva do WRI-Brasil e representante de Uma Concertação pela Amazônia, Elizabeth Farina, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jório Veiga e a Representante Residente no Brasil do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Katyna Argueta, apresentaram um panorama geral sobre a situação bioeconômica da região.

Durante a abertura, Tatiana Schor explicou como foi pensando o evento. “Nós usamos uma definição de bioeconomia amazônica e a dividimos em três escalas: a bioeconomia tradicional, bioeconomia da floresta e a bioeconomia de commodities, que une agroeconomia e altas tecnologias. O objetivo maior do fórum é criar uma sinergia entre elas, para podermos alavancar cada uma, mas respeitando as três como um todo, já que é necessário que elas caminhem juntas”, afirma.

Em seguida, no primeiro painel, foi debatido o principal assunto do fórum: inovações em investimentos na bioeconomia amazônica. Os painelistas apresentaram estudos realizados sobre o tema, as dificuldades encontradas e as soluções para tais. Eles também debateram a importância dos investimentos, oportunidades de financiamento, maneiras de viabilizá-los e como capacitar as pessoas, tanto de dentro, quanto de fora das comunidades para atuarem em prol da bioeconomia. “Entender sobre clima é uma competência de qualquer profissional hoje e no futuro”, afirma Cassia Moraes, representante da Youth Climate Leaders, rede global que realizará em outubro, junto com a Unleash, o desafio em bioeconomia Climathon.

Para falar sobre a bioeconomia na Amazônia brasileira, é necessário entender a Panamazônia. Com o intuito de promover esta troca de experiências sobre projetos dentro da floresta, o segundo dia do F2iBAM começou com uma conversa sobre a Amazônia e os outros países onde ela se encontra. Com a presença de pessoas atuantes no desenvolvimento sustentável e que têm planos para torná-lo ainda maior, foram apresentados projetos que visam o desenvolvimento das comunidades locais, respeitando a floresta em pé e seus ciclos, os gargalos encontrados, como o desconhecimento das formas de investimentos e a falta dos mesmos nesses lugares, e também iniciativas que buscam fortalecer as redes produtivas, freando o desmatamento e preservando a floresta.

Considerado essencial para o avanço da bioeconomia, o conhecimento foi assunto de destaque no segundo painel da terça-feira, dia 15. Expondo a necessidade e urgência de formação de pessoas voltadas para a área e de mais pesquisas. Os painelistas debateram possibilidades de mudar o cenário atual, como alinhamento de negócios com a conservação das florestas, colocando em foco estruturas maiores para mais investimentos, pensando além dos pequenos modelos de negócios. Para ser possível gerar toda a mudança, foi ressaltado a necessidade de tecnologia, apoio governamental e estímulo aos jovens e empreendedores, aliado ao fortalecimento dos institutos de pesquisas e universidades.

O primeiro painel da quarta-feira (16) abordou a bioeconomia pelo mundo afora. Com uma bancada de painelistas internacionais, foi apresentado um panorama sobre o desenvolvimento sustentável e bioeconômico em outros países, os modelos de sucesso, que podem servir de exemplo ao Brasil, e as dificuldades ainda enfrentadas por muitos para a implantação de uma nova economia, com foco na preservação ambiental. De acordo com os painelistas, a Amazônia é considerada por especialistas internacionais como uma área de grande potencial de desenvolvimento econômico, sendo preciso ajustes como fomentos governamentais e incentivar as pessoas para que tenham outro olhar para a floresta e como ela pode gerar lucro, pensando em sua preservação.

No segundo painel da quarta-feira, a castanha do Brasil foi o tema central. Apresentado como um modelo de negócio de sucesso, o case da castanha levou a debates sobre financiamento de impacto na economia da floresta, possibilidades futuras sobre desenvolvimento e sustentabilidade nas cadeias produtivas, o sistema da castanha em outros países da Panamazônia e as viabilizações para um forte posicionamento como produto. A diretora executiva da Conexus, Carina Pimenta, citou o potencial que a floresta tem para o desenvolvimento sustentável e a necessidade de mais capital investido para que tais negócios evoluam. “A Amazônia tem sido olhada como o lugar onde o investimento de impacto precisa acontecer para mover não só a cadeia da castanha, mas também as outras cadeias da bioeconomia”, disse.

No quarto dia de evento, dia 17, as atenções foram voltadas à conexão de partes integrantes da cadeia produtiva, trazendo os negócios de dentro da floresta, investidores e quem fomenta tais investimentos. No painel foram mostrados projetos comunitários que têm dado certo e prosperado, apresentando as dificuldades que foram encontradas durante a implantação e suas soluções, e a importância de gerar valor às florestas e às pessoas que vivem e trabalham dela, destacando a sua história e incentivando a comunidade a produzir e vender. Pelo lado dos investidores, foi pontuada como a Amazônia é vista com bons olhos para investimentos, por sua variedade de produtos e potencial a ser explorado. Além disso, também foi destaque as incertezas com altos índices de desmatamento. Na conversa, também abordaram como é necessário adequar a expectativa dos investidores, a importância de investimentos híbridos e o avanço da filantropia como uma forma de investir, vindo até de pessoas públicas.

O painel da tarde de quinta-feira trouxe uma discussão para entender como ajustes nos marcos regulatórios podem viabilizar a estruturação dos mercados de bioeconomia. Uma das conclusões é que a existência de marcos regulatórios, fomentando e garantindo a segurança jurídica a investimentos, é fundamental para assegurar os recursos necessários e promover a transição para um modelo econômico mais sustentável na Amazônia.

Encerrando a primeira semana de evento, o nono painel tratou sobre investimentos a longo prazo nas florestas. Entre os assuntos conversados, estavam projetos de recuperação de florestas, programas de fomento a negócios bioeconômicos, um panorama sobre a produção familiar, já que para alavancar o desenvolvimento sustentável é necessário incluir as comunidades que vivem na floresta e dependem dela. Na conversa, os painelistas destacaram como projetos de reflorestamento, mudanças na mentalidade do mercado e a maneira como os recursos da floresta são usados levam tempo. Por isso, a forma de investir e a expectativa de retorno têm que ser reformuladas também, todos trabalhando juntos para que ocorra essa transformação na economia e no meio ambiente, com pesquisas, soluções inovadoras e entendimento dos tipos de investimentos necessários.

F2iBAM

Todos os painéis desta semana estão disponíveis no canal da Revista Página 22 no YouTube e a programação completa do F2iBAM, que ocorrerá até o dia 25/06, está no site www.bioeconomiaamazonica.com.br.

Foto: Divulgação