Foto: Agência Brasil

O abastecimento de vários setores no país está paralisado por conta da greve dos caminhoneiros. A categoria se queixa do preço final do diesel. Na segunda reunião com representantes de onze categorias de caminhoneiros, o governo buscou um acordo, mas nem todos os presentes aceitaram a proposta.

A paralisação dos caminhoneiros tem provocado desabastecimento de combustíveis e de alimentos em diversos estados. De acordo com o presidente Michel Temer, o governo tem procurado soluções para acabar com a greve o quanto antes.

“Desde domingo nós estamos trabalhando neste tema para dar tranquilidade não só ao brasileiro, que não quer ver paralisado o abastecimento, mas também tentando encontrar uma solução que facilite a vida especialmente dos caminhoneiros. Eu até estou solicitando e pedi que nesta reunião se solicitasse uma espécie de trégua, para quem em 2, 3 dias, no máximo, nós possamos encontrar uma solução satisfatória para os caminhoneiros e para o povo brasileiro.”

Associações que representam produtores de carne e hospitais alegaram nesta quinta-feira (24) que os caminhoneiros, que estão parados por rodovias de mais de 20 estados do país, estão descumprindo o acordo que prevê a circulação de caminhões que transportam produtos perecíveis, carga viva, medicamentos e oxigênio hospitalar.

O movimento dos caminhoneiros afirmou que, até esta sexta feira (25) dará livre passagem para cargas vivas e remédios. Mas que, se um acordo não for alcançado, a partir de sábado, dia 26, nenhum tipo de carga passará.

Por meio de uma nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse que recebeu relatos de que as cargas vivas estão sem alimentação há mais de 50 horas. Segundo a entidade, mais de 175 mil trabalhadores estão com atividades suspensas em todo o país.

Além disso, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) mandou um comunicado às lideranças grevistas dos caminhoneiros solicitando a liberação de cargas de gases medicinais, como oxigênio, por exemplo, medicamentos e outros insumos hospitalares.

A entidade ressalta que os hospitais associados e parceiros comerciais do segmento começam a detectar queda substancial dos estoques e uma iminente falta de insumos nas instituições de saúde, que pode ameaçar o bem-estar e a vida dos pacientes atendidos. A entidade reconhece o direito de greve garantido pela Constituição Federal, mas disse que o direito à saúde e à vida, assim como o dever das instituições hospitalares de prestarem atendimento deve prevalecer.

A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), garantiu que os caminhoneiros não estão proibindo a passagem de veículos que transportam itens essenciais como remédios, cargas vivas, produtos perecíveis ou oxigênio para hospital. De acordo com a entidade, só haverá acordo com o governo quando o problema dos impostos do diesel for resolvido.

A greve também afetou o mercado financeiro. A decisão da Petrobras de reduzir e congelar o preço do diesel por 15 dias, fez com que as ações da Petrobras fecharam esta quinta-feira (24) com queda.

A Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, informou que mesmo com a escassez de combustível nos aeroportos, “todos os voos que estão em operação seguem abastecidos dentro do estabelecido pelos regulamentos da Agência”. De acordo com a agência reguladora, para evitar transtornos aos passageiros, a recomendação é procurar as companhias aéreas para confirmar seus respectivos voos antes de se deslocarem para o aeroporto até que a situação esteja normalizada.

O medo de faltar gasolina nos próximos dias, por causa da greve dos caminhoneiros, levou a uma corrida de motoristas aos postos de combustíveis. A publicitária Priscila da Silva Ferreira, de 25 anos, moradora do Recanto das Emas, no Distrito Federal, por exemplo, se atrasou para chegar no evento em que ela ia participar por conta da fila para abastecer.

“Eu passei muito tempo na fila do posto. A gasolina ainda estava assim…com um preço razoável, estava R$4,58, mas eu fiquei muito tempo abastecendo.”

A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), maior entidade representativa de livre adesão do varejo no Brasil, disse que apoia o movimento dos caminhoneiros. Eles disseram que só na semana passada, foram 5 reajustes diários seguidos. Com isto, os lojistas são diretamente prejudicados e também pagam a conta.

A Advocacia-Geral da União (AGU) já obteve até agora 17 decisões liminares que proíbem a obstrução de rodovias federais e informou que cerca de 100 advogados públicos estão atuando em todo país para garantir o trânsito livre nas estradas.

Reportagem, Cintia Moreira

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