A guerra comercial entre China e Estados Unidos pode impactar a economia brasileira pelos próximos cinco anos, desde as exportações até os investimentos. A conclusão é do relatório anual da Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento. O Brasil aparece no grupo mais vulnerável às medidas, junto com Turquia, Indonésia, África do Sul e Argentina.

De acordo com as Nações Unidas, o PIB brasileiro pode retrair 1,1 ponto percentual, enquanto as exportações vão crescer em ritmo 4,9 pontos percentuais mais lento. A nível mundial, o cenário não é diferente: o relatório afirma que com a flutuação de preços, os salários podem recuar 2,2%.

O ponto de maior tensão comercial atualmente é entre americanos e chineses. O governo Trump afirma que mais importa do que exporta para a China, formando uma balança desfavorável, e acusa os asiáticos de roubarem dados comerciais por meio de ataques cibernéticos. Por isso, os Estados Unidos têm sobretaxado vários produtos chineses, como aço, alumínio e itens de tecnologia. A China responde da mesma maneira e fala em protecionismo exagerado dos americanos.

A ONU, porém, estima que a China pode recuperar parte das perdas econômicas por meio de ajuste na moeda e parcerias com países alheios à guerra comercial, seguindo uma tendência dos últimos anos. Já os Estados Unidos perderiam, ao longo de cinco anos, 2,5% do PIB e 4,8% das exportações.

O relatório afirma ainda que a solução não está nem em medidas protecionistas, nem no completo livre-mercado: o desafio é encontrar meios para que os países trabalhem em conjunto para chegar a um ponto de equilíbrio.

Reportagem, Ana Luiza de Carvalho

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