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Humaitá – Quem canta seus males espanta

A música abraçando a vida

Ao retornar para o campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), em Humaitá, após um período de afastamento para cursar mestrado, a professora de Língua Inglesa, Grazielle Vieira Garcia, viu os alunos do ensino médio integrado sendo atendidos pelo setor de psicologia e o motivo era o alto índice de depressão na comunidade acadêmica. A partir desse momento, decidiu ajudá-los por meio da música e deu início à formação de um coral.

Com as atividades iniciadas em maio deste ano, o coral tornou-se um projeto de extensão com o objetivo de promover um momento de interação entre os alunos “Fiz o projeto do coral para proporcionar a eles (alunos) um momento feliz, em que eles possam errar sem ser julgados, interajam com colegas de outras turmas e é claro, a música é um remédio. Quem canta seus males espanta”, ressaltou a professora.

Inicialmente, a ideia do coral surgiu após a professora vivenciar um momento que marcou sua vida pessoal, em 2017. “Dizem que uma causa só lhe realmente chama atenção quando acontece com você, acredito que essa é uma verdade. Lembrei-me do acontecido em 2017, e aquele projeto que havia pensado me veio no coração como nunca. Nossos alunos estavam pedindo socorro”, recordou.

Para ajudar na constituição do coral, Garcia convidou o professor Tarcísio Luiz Leão e Souza, de matemática, que possui conhecimentos musicais, e buscou parceria no 54º Batalhão de Infantaria de Selva. Após o aceno positivo dos convites feitos, deu-se início ao projeto de extensão ‘One More Light: a música abraçando a vida’.

Atualmente, a ação envolve três membros do Exército Brasileiro que ajudam na regência, vozes masculinas e violão, 31 alunos e os dois professores do Campus Humaitá. “O resultado desse projeto vem sendo satisfatório. Estamos vivendo um momento difícil em Humaitá em relação à saúde mental, portanto, parcerias são essenciais no combate aos males que atingem nossos jovens, precisamos caminhar de mãos dadas”, destacou.

A primeira aparição pública do coral ocorreu em 03 de setembro, durante o 1º Encontro Municipal sobre Violência de Gênero e Direitos da Mulher, em Humaitá. Na ocasião, a performance musical obteve repercussão positiva e, desde então, o grupo tem recebido convites para realizar apresentações na cidade. Os ensaios são realizados no campus, às quartas-feiras, no período noturno.

Ainda em fase inicial, o grupo possui um repertório pequeno baseado em músicas da língua inglesa. Canções que procuram incentivar e transmitir mensagens para preservar a vida, como Numb, da banda Linkin Park. De acordo com a coordenadora do projeto, há uma lista sendo ensaiada para uma apresentação surpresa.

Relatos dos alunos

Para os alunos, o sentimento de pertencer ao coral é de gratidão e alegria, pois poder ajudar o próximo com a música é unir o útil ao agradável porque “quem canta seus males espanta”, e ainda proporcionar atenção, conforto e autoestima.

Ainda segundo os estudantes, participar do coral trouxe inúmeros benefícios. Alguns relataram que andavam com a autoestima baixa por inúmeros fatores, como bullying, brigas e falta de perspectiva na vida. Essas situações mudaram a partir do momento que passaram a fazer parte da ação de extensão, porque o relacionamento com outras pessoas trouxe alegria e uma nova forma de enxergar o mundo.

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