Os resultados das pesquisas de monitoramento dos peixes-bois que vivem no semi-cativeiro são fundamentais para novos conhecimentos sobre a ecologia da espécie
Por Caroline Rocha – Ascom Inpa
Foto: Fernanda Farias – Ascom Inpa

Um dos animais de grande importância para os ecossistemas amazônicos e para a cadeia alimentar se prepara para retornar à natureza. Três peixes-bois (Trichechus inunguis) saíram do Parque Aquático Robin C. West do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) na madrugada desta terça-feira (16) rumo ao semi-cativeiro em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Nesta quarta-feira, mais três animais serão levados para o local.

Os três mamíferos, entre eles duas fêmeas e um macho, serão monitorados por aproximadamente dois anos, com pesagens e medições clínicas feitas a cada seis meses ou um ano, para só assim, serem devolvidos em definitivo para o seu habitat natural, os rios. A expectativa de vida do peixe-boi, em cativeiro, é de 40 anos.

De acordo com o veterinário do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, Anselmo d’Affonseca, o tempo de adaptação é necessário para avaliar se os peixes-bois conseguem se integrar novamente aos rios da Amazônia, onde passarão o restante de suas vidas.

“Esses dois anos é o tempo que eles precisam para se acostumarem com um ambiente que é muito próximo ao natural”, explicou o veterinário.
A volta dos peixes-bois para a natureza faz parte das ações do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia do LMA/ Inpa em parceria com a Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), que juntos trabalham há mais de quatro décadas desenvolvendo pesquisas para a conservação de mamíferos aquáticos da região.

Os resultados das pesquisas de monitoramento dos últimos quatro anos indicam, segundo o veterinário, que os quatros peixes-bois que serão reintroduzidos na natureza no próximo dia 26 de fevereiro na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, distante a 70 quilômetros do município de Beruri (AM), se adaptaram bem as condições e estão aptos e fortes para voltarem aos rios.

“Nós recapturamos alguns peixes-bois que vivem no semi-cativeiro para fazer as medições e todos estavam saudáveis e o mais importante é que conseguiram ganhar peso. A sobrevivência é a melhor conquista que nós podemos esperar desses animais”, destacou.

Todas as informações colhidas até agora dos peixes-bois que vivem no semi-cativeiro são fundamentais para novos conhecimentos sobre a ecologia da espécie.

O papel do peixe-boi na natureza

O peixe-boi é um animal herbívoro (aquele que se alimenta exclusivamente de plantas) que pode pesar até quase 450 quilos e medir até três metros de comprimento. É considerado um adubador das águas da Amazônia. A urina e as fezes do animal servem de alimentos para pequenos animais que vivem nos rios e igarapés. Todo esse processo é primordial para a base da cadeia alimentar que ocorre nos rios da região.

O colaborador da Ampa, o biólogo Diogo Souza, explica sobre outro papel significativo que o peixe-boi exerce nos rios. “O peixe-boi chega a consumir até 10% por dia de todo o seu peso corpóreo. Isso contribui para a diminuição do fenômeno de tapagem (acúmulo de capins na superfície de rios, lagos e igarapés) que dificulta o deslocamento de embarcações e a entrada de luz para dentro das águas”, contou Souza.

Por ter carne apreciada, o peixe-boi foi alvo da caça ilegal e entrou para a lista de espécies ameaçadas de extinção. O biólogo conta que antigamente o couro do peixe-boi era usado para fabricar correias de maquinários.

“Nos dias atuais, a caça do peixe-boi ocorre para a subsistência de algumas comunidades, mas, ainda, os animais são alvos da caça ilegal”, disse Souza.

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