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Inpa encerra com sucesso maior força-tarefa para levar 12 peixes-bois para lago de readaptação

Nas translocações anteriores eram levados de três a cinco animais. O objetivo é permitir a readaptação gradual à natureza para que voltem a viver nos rios da Amazônia

Nesta quinta-feira (17), o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTIC) encerrou com sucesso o deslocamento de 12 peixes-bois, o equivalente a quase duas toneladas, dos tanques do Instituto, em Manaus (AM), para um lago de readaptação, na área rural de Manacapuru. A força-tarefa, que durou três dias, translocou sete fêmeas e cinco machos.

Esta foi a maior operação empreendida pelo Inpa para a translocação dos mamíferos do cativeiro para o semicativeiro. Nas translocações anteriores eram levados de três a cinco animais. O objetivo é permitir a readaptação gradual à natureza para que voltem a viver nos rios da Amazônia. Ameçada de extinção, a espécie apresenta condição vulnerável. Seu comportamento dócil favorece a ação dos caçadores.

“Os resultados positivos da readaptação desses mamíferos no semicativeiro permitiram que se elevasse o número de translocações dos animais do cativeiro no Inpa para um lago que apresenta as condições ideais para a readaptação dos peixes-bois”, diz o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, o biólogo Diogo Souza.

Apoio

Situado na Fazenda Seringal 25 de Dezembro, conhecida popularmente como ramal do Calado, no quilômetro 74 da zona rural de Manacapuru, o lago de 13 hectares (equivalente à área do Bosque da Ciência do Inpa) serve de semicativeiro como apoio aos trabalhos de readaptação dos animais.

As fêmeas Piracauera, Janã, Mana e Naiá, translocados nesta quinta-feira (17), se juntaram às fêmeas Adana, Baré, Aiyra e Caburi (macho), translocados na quarta-feira (16), além de Itacoati, Orebe, Gurupá e Rudá, os primeiros machos que foram levados na terça-feira (15), totalizando um peso de 1.800 quilos. Até um guincho foi usado na retirada dos animais.

Vivendo em média dez anos nos tanques do Inpa, os animais eram alimentados artificialmente com fórmula láctea (em mamadeiras para os filhotes), plantas aquáticas, como capim membeca e mureru, e suplementados com verduras. Agora, terão a oportunidade de conviver com outras espécies (peixes e quelônios) e buscar seu próprio alimento (plantas). O lago abriga, atualmente, 22 indivíduos que estão em processo de readaptação à natureza.

Os trabalhos foram executados por pesquisadores, veterinários, tratadores, biólogos e técnicos do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA/Inpa) e fazem parte do Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, coordenado pela pesquisadora Vera Silva. Conta com o apoio do Projeto Museu na Floresta, uma parceria entre o Inpa e a Universidade de Kyoto, no Japão.

Monitoramento

O próximo passo é o monitoramento por um período de um ano dos animais para avaliação das condições físicas para então serem devolvidos definitivamente para os rios. “Vamos continuar os trabalhos de monitoramento dos peixes-bois, no semicativeiro, onde no mês de outubro uma equipe ficará dez dias para recapturar os animais para avaliação das condições clínicas (pesagens e coleta de sangue e fezes)”, diz o biólogo. “No semicativeiro, os animais têm conseguido explorar o ambiente para encontrar alimento, aumentando de peso e crescido no comprimento”, acrescenta Souza, que é mestre em Biologia de Água doce e Pesca Interior pelo Inpa.

Em 2011, foi adotada a etapa de semicativeiro nos trabalhos de reintrodução à natureza dos peixes-bois da Amazônia. Anteriormente, em 2008, quando os trabalhos iniciaram, as reintroduções eram feitas diretamente do cativeiro para o ambiente natural, porém, os resultados apontaram que os animais tiveram dificuldades de se readaptarem.

Plantel atual

Com a saída dos 12 mamíferos para o semicativeiro, o plantel do Parque Aquático Robin C. West/Inpa diminuiu de 64 peixes-bois para 52, a maioria com potencial para ser devolvido à natureza. O Inpa recebe em média de oito a dez filhotes, por ano, resgatados de caças ilegais.

Os animais que vivem no cativeiro em média dez anos são selecionados para a etapa de translocação para o semicativeiro, onde permanecem de um a três anos e são acompanhados semanalmente pela equipe do LMA, que avalia o processo de readaptação. Os mais aptos são fortes candidatos para serem devolvidos defintivamente para a natureza, além dos indivíduos jovens por terem passado menos tempo no cativeiro.

Soltura

As duas últimas solturas (2016 e 2017) foram realizadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, no município de Beruri (a 173 quilômetros de Manaus), onde foram reintroduzidos nove peixes-bois. A próxima soltura (a terceira) está prevista para o início de 2018.

Sobre o peixe-boi

Endêmico da região amazônica (só ocorre nos rios de água doce da bacia amazônica), o peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) vive em média 45 anos, chegando a pesar 450 quilos e medir até 3 metros. É um herbívoro que se alimenta de capins e plantas que nascem na água, como mureru, canarana e capim membeca.

O peixe-boi da Amazônia tem um papel importante no ecossistema aquático, como transformar essa biomassa vegetal em partículas menores para outros organismos. As fezes e a urina do peixe-boi servem de adubo para as plantas e alimentos para diversas espécies de peixes.

São animais de hábito solitário e só começam a se reproduzir aos oito ou dez anos de idade, a cada quatro anos, na época da seca. A gestação da fêmea dura quase 12 meses e nasce apenas um filhote por gestação.

Por Luciete Pedrosa – Ascom Inpa
Foto: Luciete Pedrosa e Edmar Barros

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