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quarta-feira, fevereiro 21, 2024

Instituto Butantan avança no desenvolvimento de vacina contra Zika

O Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, está na vanguarda do desenvolvimento de uma vacina contra o Zika vírus, uma ameaça significativa à saúde pública, especialmente para bebês de mães infectadas durante a gestação, que correm risco de microcefalia. O instituto está se preparando para iniciar os testes pré-clínicos em 2024.

Esta nova vacina, que já demonstrou ser capaz de gerar anticorpos neutralizantes contra o Zika em estudos de prova de conceito, é feita com o vírus inativado. Essa tecnologia é considerada a mais segura para uso em gestantes, o público-alvo principal da vacina. A próxima fase do desenvolvimento envolve testes de segurança para verificar a tolerabilidade e possíveis reações adversas.

O imunizante está sendo desenvolvido pelos laboratórios do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto Butantan e utiliza métodos clássicos de produção de vacinas, incluindo o uso de um adjuvante tradicional, o hidróxido de alumínio. Este adjuvante é conhecido por potencializar a resposta imunológica e manter sua eficácia a longo prazo.

Renato Mancini Astray, diretor do Laboratório Multipropósito e um dos responsáveis pelo projeto, destaca a necessidade de um alto perfil de segurança para a vacina, dada a vulnerabilidade das mulheres grávidas e seus fetos.

Além do impacto na saúde pública, o Zika vírus também representa um desafio econômico significativo, com custos estimados em R$ 4,6 bilhões para o sistema de saúde brasileiro em 2015 e 2016. A Organização das Nações Unidas estima que o custo em toda a América Latina pode ter chegado a US$ 18 bilhões.

O projeto da vacina do Zika, que teve apoio do Biomedical Advanced Research and Development Authority (BARDA) do governo dos Estados Unidos, também representa um avanço tecnológico significativo para o Brasil. Enquanto o país é conhecido pela produção de vacinas, o desenvolvimento de novos imunizantes é menos comum.

O processo de produção da vacina envolve cultivo celular, multiplicação em biorreator, inoculação com o vírus, inativação e purificação. A formulação final, que já demonstrou estabilidade e atividade por vários meses, incluirá um adjuvante para melhorar a estabilidade do produto.

Este desenvolvimento é um passo importante na luta contra o Zika e na proteção de gestantes e seus bebês, apesar dos desafios impostos pela falta de circulação do vírus, que impede a realização de ensaios clínicos de eficácia em larga escala.

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