As internações por sarampo, em Manaus, começam a apresentar redução significativa, de acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). Há um mês, 60 pessoas eram internadas em média, por dia, nas unidades da rede estadual de saúde, em consequência da doença e suas complicações. Atualmente, este número não chega a 10.

No último domingo (23.09), por exemplo, foram registradas apenas seis internações. Para a Secretária Executiva Adjunta de Atenção Especializada da Capital (SEA Capital/Susam), Joselita Nobre, a queda é reflexo da intensificação da vacinação, das ações de bloqueio e de atenção aos pacientes, realizadas em conjunto com o município.

Joselita ressalta que o combate ao sarampo, na capital amazonense, foi intensificado desde fevereiro deste ano, quando houve a confirmação do primeiro caso da doença, no estado vizinho de Roraima. A partir de então, ampliou-se a cobertura vacinal para atingir até, no mínimo, 95% da população vulnerável, resultado já alcançado, bem como o diagnóstico de casos suspeitos, com notificação compulsória para que fosse realizado bloqueio da doença junto à família do paciente, e a oferta de leitos para internação. “Com isso, a resposta positiva chegou”, disse ela.

“Temos claramente uma redução bastante significativa no número de internações por sarampo. Estávamos com 60 leitos reservados à internação de pessoas com a doença, com capacidade de ampliar essa quantidade, mas felizmente a demanda já vem caindo. Hoje, não utilizamos nem 10 leitos para essa finalidade”, afirmou.

Segundo Joselita, a estrutura dos hospitais para atendimento aos pacientes também começa a voltar à rotina normal. Entretanto, a Secretária da Capital frisa que tanto o Estado quanto o município seguem em alerta em relação ao sarampo. “Ainda não descansamos. Continuamos em estado de alerta, porque o alívio só virá no momento em que não houver mais pessoas internadas, assim como nenhum caso novo da doença. Precisamos chegar a essa meta até janeiro de 2019, para que o Brasil mantenha a certificação de erradicação dosarampo junto a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas)”, destacou.

Joselita explica que a orientação continua sendo a de vacinar quem procura atendimento nas unidades de saúde, reforçando o diagnóstico diferencial, uma vez que há outras doenças com sintomas semelhantes ao de sarampo, como dengue, chikungunya, zika e rubéola.

Tal precaução também é defendida pelo diretor presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), Bernardino Albuquerque. De acordo com ele, a redução das internações por sarampo está relacionada à diminuição da ocorrência da doença, que vem sendo aos poucos observada e que pode ser uma sinalização para o declínio do surto vivenciado na capital. Contudo, não se pode baixar a guarda em relação ao controle. “Continuar ampliando a cobertura vacinal é essencial, pois esta é a arma mais efetiva que temos contra o sarampo”, ressaltou.

Bernardino enfatiza que é importante dar continuidade às ações de intensificação da vacinação com outras faixas etárias, principalmente, de adolescentes e jovens, além de manter o monitoramento das ocorrências de casos suspeitos e trabalhar ações específicas. “Ou seja, essa diminuição da notificação e de internação não nos permite dizer que o risco está encerrado. Realmente, só vamos poder fazer essa afirmação quando deixarmos a ocorrência em nível zero, como há 18 anos”, salientou.

Ocorrência – Conforme os dados do último Boletim Epidemiológico da FVS, foram notificados 9.657 casos suspeitos de sarampo, em 47 municípios do Amazonas. Destes, 14,1% (1.358) foram confirmados, 6,6% (642) descartados e 79,3% (7.657) estão sob investigação. Manaus apresenta 79,6% dos casos notificados.

Ao todo, foram confirmados casos da doença em 14 municípios amazonenses, entre os quais, Manaus, Manacapuru, Itacoatiara, Parintins, Iranduba, Coari, Autazes, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. Até agora, quatro pessoas vieram a óbito em decorrência do sarampo, sendo duas residentes de Manaus e duas de Autazes.

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