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Leucemia: especialista aponta quais são as novidades no tratamento

Com a estimativa de 10.800 novos para cada ano do biênio 2018-2019, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), a leucemia atinge os glóbulos brancos, que perdem a função de defesa do organismo, passando a se reproduzir de forma desordenada e comprometendo o sistema imunológico. Na maioria das vezes, sua origem é desconhecida.

De acordo com a hematologista do Hospital do Câncer Anchieta, Dra. Flávia Zattar Piazera, a evolução da doença depende do tipo de leucemia, que pode ser aguda ou crônica. “A crônica apresenta um curso mais lento e muitas vezes assintomático, e geralmente é descoberta durante um exame de sangue de rotina. Já as agudas são mais agressivas e costumam evoluir de forma mais rápida”, explica a médica.

A especialista aponta ainda que a depender do tipo de glóbulo branco afetado, elas podem ser divididas em dois grupos: linfoides e mieloides. “As leucemias linfoides agudas são as mais prevalentes em crianças, mas podem acometer adultos também. As leucemias mieloides agudas são mais prevalentes acima dos 20 anos”, indica Dra. Flávia. Os tipos de leucemia crônica, tanto linfoide quanto mieloide, afetam principalmente adultos.

Sintomas

Os mais prevalentes são anemia, fadiga, febre diária, aparecimento de manchas roxas espontâneas, sangramentos gengivais, infecções recorrentes, palidez cutânea, entre outros.

Diagnóstico

É realizado por meio de um hemograma. Caso seja encontrada alguma alteração, a confirmação do diagnóstico é feita pelo exame da medula óssea (mielograma). Pode ser solicitada ainda uma biópsia da medula.

Tratamento

Nas leucemias agudas, são realizadas sessões de quimioterapia para combater as células doentes. Em alguns casos, pode ser necessário o transplante de medula óssea. Na leucemia mieloide crônica, o tratamento é feito com o uso de medicamento oral e, se não houver resposta, quimioterapia e transplante também podem ser indicados.

Segundo a médica, as novidades no tratamento das leucemias agudas são a terapia alvo, que age em partes específicas das células cancerígenas; os indutores da apoptose celular, ou seja, compostos que estimulam de forma ordenada o esvaziamento da célula e sua eliminação pelo sistema imunológico; e a terapia celular, conhecida como CAR-T cells, que utilizam células de defesa do organismo extraídas do próprio paciente e trabalhadas em laboratório, e depois infundidas novamente para que combatam o tumor.

Essa técnica – terapia celular – foi utilizada recentemente aqui no Brasil, em caráter experimental, por cientistas do Centro de Terapia Celular da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, para tratar um paciente com linfoma em estágio avançado e que não respondeu a tratamentos anteriores. Agora, precisa passar por mais testes e ser liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atualmente, só é liberada na modalidade compassivo, ou seja, para pacientes que não responderam a outros tratamentos e se voluntariam a participar.

Prevenção

Segundo a hematologista, as leucemias agudas não possuem fatores de risco associados, o que dificulta a prevenção. A indicação é que, ao notar a presença de sintomas que podem ser indicativos da doença, deve-se procurar um especialista para avaliar o quadro. Quando detectados na fase inicial, as chances de cura e sucesso do tratamento são maiores.