Luciano Brandão dá dicas de prevenção ao câncer de mama

A maioria dos casos de câncer de mama registrados no Amazonas ainda é do localmente avançado e não o precoce. O alerta é do médico especialista clínico e cirurgião em mastologia, Luciano Brandão, que atende no Serviço Social da Indústria (SESI Amazonas).

Conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama pode alcançar 60 mil novos casos no país no biênio 2018-2019. Segundo Brandão, mesmo quando não há cura, é necessário e essencial que haja controle da doença.

Formado há mais de 23 anos, Luciano Brandão também atende na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), Clínica Oncológica Oncoclim e na Clínica da Mulher.

Qual o principal objetivo do mastologista?

Luciano Brandão – Diagnosticar e tratar o câncer de mama. É o mastologista que deve definir a conduta para o tratamento, mas não apenas por esse motivo a especialidade deve estar na vida de pacientes. Nódulos e assimetrias das mamas, mastitese a ginecomastia, esta última leva a um crescimento acima do normal das mamas masculinas, são algumas doenças identificadas pelo especialista.

O que é câncer de mama?

Existem vários tipos de câncer de mama, alguns se desenvolvem de uma forma e outros não, mas a doença é resultante da multiplicação de células anormais na mama que formam um tumor.

Por quais etapas a paciente passa em consulta no SESI?

LB – A primeira etapa realizada pelo médico é a anamnese, com série de perguntas à paciente para analisar seu histórico, seguida do exame clínico das mamas por meio de toques e, quando necessário, a paciente é encaminhada para exames mais aprofundados, realizados também no SESI, como a mamografia, ultrassonografia ou ressonância das mamas.

Como a paciente sabe que está no grupo de risco?

LB – Na primeira entrevista analisa-se o histórico da paciente. Para tal, confirma-se ou não a existência de casos da doença na família, data da primeira menstruação – quanto mais cedo envolve risco maior estatisticamente -, data da última menstruação – é importante, porque nessa janela entre a primeira menstruação, cedo, e a última menstruação, tarde, há uma exposição aos ciclos ovulatórios, com a produção de estrogênio e progesterona, que podem influenciar no risco de câncer de mama.

Quando realizar a primeira mamografia?

LB – É indicado que a mulher, a partir dos 40 anos, realize o exame de mamografia para detectar lesões não palpáveis com o autoexame.

Qual periodicidade do exame de mamografia?

LB – Deve ser anual ou mesmo bianual, conforme a instituição que a oferece, sendo elas, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Mastologia.

E para quem tem casos na família, segue a regra?

LB – Não. Caso haja casos na família, o certo é procurar o quanto antes o especialista para acompanhamento anual e, preventivamente, detectar toda e qualquer possibilidade do aparecimento da doença.

Homens também podem ter câncer de mama?

LB – A ida ao consultório não é obrigatória e nem rotineira aos pacientes masculinos, mas vale lembrar que o câncer de mama existe sim no homem e, caso haja histórico familiar de câncer de mama, independente do sintoma, é bom procurar um especialista mesmo os casos sendo raros – ocorre um para 150 casos em mulheres. Os nódulos na mama são principalmente embaixo da aréola.

Qual a importância do autoexame para a prevenção do câncer de mama?

LB – É importante que a mulher realize o autoexame, hoje 60% do público-alvo não conseguem fazer mamografia no Brasil. Para isso, é preciso exercer esse autoconhecimento todos os meses, cinco a 10 dias antes ou depois da menstruação, período em que o corpo da mulher já não estará alterado em decorrência do período menstrual, mas que essa não seja sua única forma de detectar a doença, buscando sempre o acompanhamento com o especialista.

Como realizar o autoexame?

LB – Pode ser realizado no banheiro, em frente ao espelho, deitado ou em pé, o importante é realizar o exame de maneira correta e mensal. Com a realização do autoexame, no mínimo, seriam evitadas muitas e muitas mastectomias (cirurgia de remoção completa da mama).

Mulheres com filhos têm menos chances de câncer de mama?

LB – Sim, é verdade. Quanto maior a paridade, menor a janela de risco. Não é um fator que seja confortável, no sentido de dizer que se a mulher tiver cinco filhos não terá câncer de mama, não é bem assim que funciona. Mas não há dúvida de que todas as vezes que ela engravida e tem filho, ou seja, uma gestação completa com o nascimento do neném e, de preferência, com amamentação, é uma janela que ela interrompe a produção hormonal, que poderia favorecer o risco para câncer de mama.

Então as mulheres devem ter muitos filhos?

LB – Não estou dizendo que as mulheres devem ter muitos filhos, mas se levarmos em consideração outros fatores que diminuem os casos de câncer, como atividade física regular e menor ingestão de gordura saturada, a mulher que teve experiência de gestação a termo e amamentação, acaba pertencendo a um grupo de risco menor.

O câncer de mama tem cura?

LB – As lesões não palpáveis chegam a 98% de cura. Aquela lesão que ainda não é apalpada nem pela mulher e nem pelo médico vem dos exames rotineiros que a mulher faz mesmo sem estar sentindo algo. Não conseguimos ainda evitar que o câncer de mama apareça, mas, se ele aparecer, que seja pequeno para que se possa tratar e aumente a chances de cura. É preciso incentivar o tratamento precoce no sentido de oferecer uma estatística de quase 90% de cura.

Qual a importância do Outubro Rosa e da propagação para os outros meses?

LB – O Outubro Rosa é um momento de sensibilização, porém não adianta envolver pessoas e não dar a elas a solução que deve ser sequenciada ao longo do ano. O SESI é uma alternativa na realização de exames rápidos e de boa qualidade no tratamento da patologia benigna e no encaminhamento adequado dessas pacientes com patologia maligna para o câncer de mam