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Mães relatam que não recebem orientações sobre sono do bebê, vacinas e amamentação

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Ao identificar as práticas de cuidado com baixa prevalência de recomendação, os resultados destacam oportunidades de intervenção futura
Mães de primeira viagem não recebem orientações médicas sobre aspectos que envolvem os primeiros cuidados com o bebê, como aleitamento materno, imunização, uso da chupeta, melhor posição para o bebê dormir… É o que revela um estudo publicado no Pediatrics, revista da Academia Americana de Pediatria (AAP), que foi conduzido por pesquisadores da Boston Medical Center, da Universidade de Boston e da Universidade de Yale, em New Haven, Connecticut. Grupos profissionais de saúde emitiram recomendações e orientações sobre todos os aspectos dos cuidados infantis, com base no estudo, que determinam que certas práticas podem prevenir doenças e até mesmo salvar vidas.

Os autores do estudo entrevistaram uma amostra nacionalmente representativa de mais de 1.000 novas mães, perguntando sobre as orientações recebidas em relação aos cuidados com o bebê que elas receberam de médicos, enfermeiros, membros da família e dos meios de comunicação.

“Cerca de 20% das mães disseram que não receberam orientações de seus médicos sobre as recomendações atuais a respeito de aleitamento materno ou sobre a melhor posição para o bebê dormir: de costas, prática comprovada para reduzir o risco da síndrome da morte súbita infantil (SMSI). Mais de 50% das mães relataram não ter recebido nenhum conselho sobre onde seus bebês deveriam dormir. De acordo com a AAP, o compartilhamento de quarto – mas não o compartilhamento da cama – é a prática recomendada para o sono infantil seguro”, afirma o pediatra e homeopata Moises Chencinski (CRM-SP 36.349).

A primeira hora de vida: aleitamento materno na sala de parto

Estudos anteriores já haviam revelado que as mães de primeira viagem realmente ouvem seus médicos. Esta pesquisa mostra que os médicos têm a oportunidade de fornecer às novas mães orientações valiosas sobre como melhorar a saúde infantil e até mesmo como salvar vidas. Mulheres negras, hispânicas e mães de primeira viagem são os grupos mais propensos a seguir os conselhos de seus médicos, diferentemente de mulheres brancas e mães de duas ou mais crianças.

“Como médico, estes resultados me fazem refletir sobre como comunicamos informações importantes para as novas mães. Precisamos ser mais claros e específicos sobre as recomendações. Sob a perspectiva da saúde pública, há uma oportunidade real para envolver as famílias e os meios para promover a saúde infantil”, defende o pediatra.

Para realizar o estudo, os pesquisadores registraram novas mães no momento do parto em 32 hospitais em todo o país, totalizando 1.031 mulheres. Os autores perguntaram às mulheres, quando as crianças tinham entre 2-6 meses de idade, quais os conselhos que elas receberam do médico de seu bebê, das enfermeiras do hospital onde a criança nasceu, dos seus familiares e dos meios de comunicação.

Para verificar se essas fontes haviam fornecido orientações úteis para os cuidados com o bebê, os pesquisadores procuraram determinar se a recomendação era consistente com as recomendações dos grupos profissionais. Por exemplo, a Academia Americana de Pediatria recomenda que os cuidadores sempre coloquem o bebê para dormir de costas (de barriga para cima). As mulheres participantes do estudo foram questionadas se concordavam ou não com uma série de declarações sobre a orientação do sono. “As enfermeiras do hospital onde meu bebê nasceu disseram que eu deveria colocar meu bebê para dormir com a barriga para cima, de lado ou de costas…”. Se as mulheres concordassem com a afirmação de que o bebê deveria ser colocado para dormir de costas, os pesquisadores classificavam a resposta como consistente com a recomendação da AAP. Se mencionassem as demais opções, a resposta era considerada inconsistente com a recomendação.

“Quando foi dado, o conselho médico tendia a ser consistente com as recomendações. No entanto, 10-15% dos conselhos dados sobre amamentação e uso da chupeta não eram consistentes com as recomendações, e pouco mais de 25% não eram consistentes com as recomendações sobre a posição de dormir”, conta o médico, que é membro do Departamento de Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Médicos e outros atores sociais em posição de oferecer conselhos para as mães podem ter falhado porque eles não conheciam ou porque eles não concordam com a recomendação, defendem os autores do estudo. Os médicos também podem estar relutantes em dar uma recomendação que acreditam ser controversa ou que possa levar a uma longa conversa, especialmente se eles estão enfrentando restrições de tempo durante o horário de expediente, apontaram os pesquisadores.

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