Evento acontece de 26 a 28 de novembro e une profissionais e estudantes na busca por alternativas sustentáveis para as atividades florestais

O primeiro dia do Seminário Manejar – Seminário de Produção Florestal Familiar e Comunitária do Amazonas, reuniu produtores do interior do Estado, ONGs, órgãos ambientais e muito conhecimento trocado entre os participantes, com minicursos e mesas de discussões sobre os temas mais relevantes do setor. A abertura do evento contou com uma plenária que abordou os principais problemas do segmento florestal, no qual a produção familiar é representada por apenas 4% da produção do Amazonas.

O diretor técnico do Idesam, Carlos Koury, iniciou o debate com a informação de que 62% das terras do Amazonas são destinadas para as comunidades tradicionais (assentamentos ou unidades de conservação). Esse potencial, no entanto, ainda não é explorado satisfatoriamente. Para ele, produzir e conservar a Amazônia precisa necessariamente passar pelo apoio à gestão familiar e comunitária.

“Se a gente vai apoiar a produção florestal, temos que apoiar os pequenos produtores, que representam 93% do número de estabelecimentos rurais. A grande produção de óleos vegetais, de sementes, ainda é de base comunitária e o desafio é desenvolver isso, essa é uma das razões por estarmos discutindo essas questões neste Seminário”, destacou.

Na avaliação do superintendente-geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgílio Viana, os dados mostram ainda que o quadro do setor florestal madeireiro no Amazonas mudou drasticamente, chegando praticamente ao desaparecimento. Para ele, o setor madeireiro se enfraqueceu pela dificuldade em operar com suprimentos legalizados. O maior controle e as fiscalizações transformadas em multas foram um baque para o setor, cenário piorado com a falta de investimentos robustos na cadeia de suprimentos robusta.

“A principal concorrência [do manejo comunitário] é com a madeira ilegal. A maneira de competir é aumentar o custo da ilegalidade. O Ipaam, a Polícia Ambiental e Ibama precisam fiscalizar mais. E reduzir o custo da legalidade. É preciso diminuir drasticamente a papelada, além do investimento em pesquisa. Mas burocratizar não significa flexibilizar”, destacou Viana. A criação de um entreposto de madeira certificada em Manaus foi defendida pelo representante da FAS, o que aumentaria a geração de renda dessa produção comunitária.

Sobre essa questão, Fábio Marques, diretor jurídico do Ipaam, ressaltou que no último dia 8 de outubro foi sancionada uma lei estadual de desburocratização, onde muito requisitos foram eliminados para fazer com que a agricultura familiar tenha acesso ao licenciamento ambiental de forma mais rápida.

No segundo dia de evento, a programação continua com minicursos sobre os passos para certificação, manutenção de máquinas florestais e casos de sucesso de manejo florestal comunitário. A programação completa pode ser encontrada no site manejar.org.br.

Produtores do interior participam de minicursos

Representantes de associações de produtores de diversos municípios do Amazonas participaram da programação de minicursos promovidos pelo Seminário Manejar, como o de primeiros socorros voltados para atividades florestais e orientações contábeis, este último, uma forte necessidade apontada pelos gestores das cooperativas presentes. Com participação de produtores de Lábrea, Carauari, Boa Vista do Ramos, entre outros, o minicurso de orientações contábeis com a plataforma Rupee – que terá uma nova apresentação neste segundo dia de evento – trouxe conhecimentos e novas perspectivas sobre o controle do trabalho do contador na atividade florestal, abordando entraves e as “pegadinhas” que os gestores podem cair com as mudanças repentinas da legislação tributária brasileira.

Um dos participantes do minicurso, o representante da Associação de Comunidades Sustentáveis da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro (ACS RDS Rio Negro), Nelson Britto, falou das muitas dificuldades que as cooperativas possuem de acesso a mercado e de contabilidade, afirmando que as comunidades ainda precisam avançar nesse quesito. “Estamos lutando para que a gente [associação/cooperativa] seja reconhecido como as empresas são e que o povo do interior do Estado seja reconhecido pelo que ele realmente é e pelo que produz”, ressaltou Britto.

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