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Mesmo com pandemia, Feira de Pirarucu Manejado de Tefé tem faturamento de R$ 57 mil

Foram comercializados 224 peixes em duas edições do evento que costuma reunir turistas e compradores do pescado de diversos lugares do Brasil

Atípico para a maioria das pessoas, o ano de 2020 não foi diferente no interior do Amazonas, onde os povos tradicionais, isolados pela pandemia de covid-19, tiveram que buscar alternativas de subsistência e manutenção da renda. Mesmo diante dos desafios impostos pelo vírus, um experiente grupo de pescadores e pescadoras do Médio Solimões, com o apoio técnico do Instituto Mamirauá, conseguiu concluir com sucesso as atividades de manejo sustentável do pirarucu e realizar as duas edições da tradicional Feira de Pirarucu Manejado.

O maior peixe de escamas de água doce do mundo (Arapaima gigas) é uma importante fonte de subsistência na Amazônia. O imponente pirarucu sai das águas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, “caminho da chuva” em Tupi Guarani, pelas mãos de homens e mulheres pertencentes ao Acordo de Pesca do Setor Pantaleão, e é das feiras que ele parte para a mesa da população local e também de restaurantes renomados, no norte e no sudeste do Brasil.

Cuidados redobrados

Durante a pandemia, a organização das feiras exigiu ainda mais empenho de articulação e cuidados redobrados para garantir a segurança dos pescadores e consumidores. Uma série de reuniões extraordinárias foram realizadas para orientação e planejamento da pesca e do evento. Todas as normas de segurança sanitária orientadas pelos órgãos de saúde foram atendidas, e o evento só foi possível graças ao empenho e apoio de parceiros e organizações manejadoras.

Resultados

Houve um aumento pela procura do produto legal e manejado, e também um aumento do volume de compra por consumidor. A coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Ana Cláudia Torres, destaca os resultados da realização das feiras deste ano.

“Foram comercializados 224 peixes em dois momentos (outubro e dezembro), o que mostra o potencial de consumo pela população, bem como a adesão e seu apoio à iniciativa. Outro resultado positivo foi o aumento da compra por estabelecimentos comerciais com a intenção de revenda, o que, em tese, possibilita a oferta do produto no mercado local por um período maior de tempo”.

A 16ª edição da feira, realizada nos dias 17 e 18 de outubro, e a 17ª, entre 05 e 06 de dezembro, atingiram um faturamento total de 57 mil reais. O lucro obtido será dividido entre os 120 pescadores e manejadores do Acordo de Pesca do Setor Pantaleão.

A feira celebra o final de um ciclo de dez meses de trabalho dos pescadores que atuam vigiando e protegendo os lagos contra invasores, fazendo a contagem de peixes para determinar o volume de retirada anual, pescando e beneficiando a carne.

Subvenção para o manejo de pirarucu

Na manhã desta segunda-feira (14), o presidente da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) do Amazonas, Sérgio Litaiff Filho, assinou o Regimento Interno da Comissão Interinstitucional que tem em vista articular o pagamento da Subvenção Econômica dos Pescadores Manejadores de Pirarucu.

O ato cumpre a previsão de decreto nº 41.829, publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas em 21 de janeiro de 2020, que visa o repasse de R$ 1 por quilo de pescado comercializado.

O documento dispõe o regramento legal e as exigências para quem tem interesse em participar do pagamento da subvenção, e ainda precisa ser assinado por entidades e associações antes que se dê início ao credenciamento dos beneficiários.

Segundo o presidente da ADS, o pagamento será feito de forma inédita no Município de Tefé, onde está localizada a sede do Instituto Mamirauá, precursor do manejo sustentável do pirarucu.

Apoio às feiras

A realização das feiras é uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Tefé, o Departamento de Mudanças Climáticas e Unidades de Conservação da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Amazonas, a Fundação Amazonas Sustentável, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), a Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS), o SEBRAE e a Colônia de Pescadores Z4 de Tefé.

Texto: Augusto Gomes, com colaboração de Mariana Bazzini.

Foto: Marco Lopes

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