O juiz federal Sérgio Moro, escolhido para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, afirmou que ninguém será protegido em caso de corrupção dentro do novo governo. Segundo ele, a afirmação inclui afastamento de ministros “em caso de denúncias consistentes”. A declaração foi dada ao Fantástico, da TV Globo.

“Eu não assumiria um papel de ministro da Justiça com risco de comprometer a minha biografia, o meu histórico. E isso foi objeto de discussão e afirmação do senhor presidente eleito, que ninguém seria protegido se surgissem casos de corrupção dentro do governo”.

Na entrevista, Moro disse ainda que aceitou o convite de Bolsonaro com a expectativa de “consolidar os avanços da operação Lava Jato em Brasília”. Nesse sentido, o juiz federal alegou que assumirá o cargo no ministério como uma figura mais técnica e menos política.

O juiz se posicionou a favor da redução da maioridade penal e da posse de armas, propostas defendidas na campanha do presidente eleito. Para ele, o cidadão, aos 16 anos, já tem “compreensão de que é errado matar”. Disse também que a atual lei é muito restritiva para posse de arma em casa.

“Acho que isso não pode ser muito além de uma afirmação de que eu quero ter uma arma em casa, eu estou preparado, eu não tenho antecedentes criminais, eu fiz os testes, o psicotécnico. E quero ter uma arma porque me sinto mais seguro com isso”.

Durante a entrevista, o futuro ministro da Justiça ressaltou o combate ao crime organizado como um dos focos do próximo governo. Ele disse que a criminalidade será combatida com investigações sólidas, isolamento de líderes e confisco dos materiais coletados e utilizados no crime.

Em relação à prisão do ex-presidente Lula, em abril deste ano, Moro voltou a afirmar que “há uma fantasia de que Lula foi excluído arbitrariamente das eleições”, mas que, na verdade, ele está preso por ter cometido um crime.

Sobre a possibilidade de participar das eleições de 2022 como candidato à presidência, Moro disse que não se vê como um político e que não vai disputar a corrida ao Planalto no futuro. Salientou ainda que uma eventual indicação dele ao Supremo Tribunal Federal (STF) só pode ser considerada “quando surgir vaga”.

Reportagem, Clara Sasse

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