A Região Norte possui a maior taxa de inovação em biotecnologia do País, bem como registrou um crescimento de 12% relacionado à mão de obra técnica-científica, número superior aos 10% observados no Brasil, no período entre 2011 e 2013. Os dados estão na última edição dos Cadernos de CT&I Amazonas, com o título “Inovações em Biotecnologia e Nanotecnologia no Brasil a partir da Pesquisa de Inovação (Pintec) 2011 – o Pessoal Ocupado Técnico-Científico (POTec) na Região Norte”.
Esse crescimento do POTec chama a atenção, segundo Moisés de Andrade Coelho, chefe do Departamento de Relações Interinstitucionais e Indicadores de CT&I (DIN), da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-AM) e coordenador da pesquisa, pelo fato da região possuir pequena parcela de participação de mão de obra qualificada, se comparada às demais regiões do País.

Nesta quarta edição dos Cadernos, a SECTI-AM apresenta análises da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec) considerando os resultados das inovações em biotecnologia e nanotecnologia no Brasil, com destaque para as características do pessoal ocupado técnico-científico (POtec) no Norte do País.

As pesquisas tiveram como objetivos construir cenários de difusão das atividades relacionadas ao uso, produção, pesquisa e desenvolvimento (P&D) da biotecnologia e nanotecnologia, a partir das principais características conceituais, metodológicas e operacionais da Pintec, uma vez que tecnologias emergentes têm despertado interesses tanto das empresas quanto dos formuladores de políticas, que as veem como importantes instrumentos propulsores de inovação, crescimento e desenvolvimento.

DESTAQUE

O Amazonas aparece na 13ª colocação, com 30.677 pessoas técnicas ocupadas, colocando o Estado em destaque em relação a outras unidades federativas. Na Região Norte, Amazonas e Pará concentram ¾ do POTec. O Pará com 29.548 profissionais atuando nestes segmentos. Em seguida, evidencia-se Rondônia como terceira força na região, especialmente por conta das hidrelétricas, seguido pelo Tocantins, com elevado crescimento nos últimos anos.

A Região Sudeste concentra aproximadamente 60% do POtec brasileiro, evidenciando sua importância para o desenvolvimento industrial e tecnológico do Brasil.

Os dados apontam para um crescimento de pessoal técnico-científico não só no Amazonas, mas também nos demais Estados da região, acima da média nacional.

No que diz respeito ao gênero, todas as regiões expressam resultados semelhantes, com ¾ do pessoal masculino. Na escolaridade, a Região Norte possui o maior percentual de pessoal com mestrado e doutorado entre todas as regiões.

De acordo com Moisés Coelho, é essencial que o Norte invista mais na industrialização e nos serviços tecnológicos, já que CT&I não têm a mesma força no Comércio e Serviços da região. “Existe essa diferença muito grande entre as regiões. As áreas de Serviço e Comércio são fortes para nós, mas não é o tipo de demanda exigida pelo POTec. Não é esse tipo de profissional solicitado”, ressalta.

O principal investimento a ser feito pela Região Norte, ressalta Coelho, deve ser nas áreas de base tecnológica, com aquisição de mão de obra qualificada. “São setores em que a inovação predomina, faz parte do processo deles as áreas de Biotecnologia e Nanotecnologia. O destaque do Amazonas se dá predominantemente por conta do Polo Industrial de Manaus, e o Pará se sobressai devido ao extrativismo. São duas economias dinâmicas que se destacam nesse cenário, mas têm como melhorar, e muito”, disse.

Biotecnologia representa avanços tecnológicos em segmentos como alimentos, saúde e serviços, a partir do uso da biodiversidade amazônica. “São áreas que podem sofrer reflexos positivos de desenvolvimento. Considero que seria um avanço fazer uso da biodiversidade para desenvolver produtos”, avalia o coordenador, para quem não é de se admirar com a importância da Região Sudeste como maior detentora de pessoal técnico- científico. “Não é coincidência que a Região esteja no topo. O trabalho é diretamente ligado à pesquisa e desenvolvimento nas regiões Sudeste e Sul. É natural que sejam as mais desenvolvidas em termos de inovação”, destacou.

REMUNERAÇÃO

No quesito remuneração, Amazonas e Roraima são os Estados da Região Norte que melhor remuneram os profissionais dessas áreas, com salários superiores a 20 salários mínimos. Em relação ao gênero, porém, ainda há diferença entre os salários de homens e de mulheres no Amazonas, apesar do mesmo nível de escolaridade.

Segundo o estudo, a discussão da carência da mão de obra qualificada no Brasil passa pela existência de profissionais de carreiras técnico-científicas em número suficiente para suprir as demandas da indústria, construção civil e das outras áreas envolvidas no processo de desenvolvimento científico e tecnológico do Amazonas.

CADERNOS DE CT&I AMAZONAS

Periodicamente a SECTI-AM apresenta análises de informações de CT&I divulgadas em bases de dados científicas com foco nos resultados em níveis regional, nacional e internacional. Com essas observações torna-se possível se ter atualizado o posicionamento do Amazonas no cenário técnico-científico e de inovação.

As pesquisas e análises são coordenadas pelo DIN/SECTI-AM, e visam fomentar discussões sobre temas e aprimorar as políticas públicas de CT&I.

A coleção Cadernos de CT&I Amazonas está disponível ao público na sede da SECTI-AM, localizada na avenida Mário Ypiranga Monteiro (antiga rua recife), 3.280 – Prédio I, bairro Parque Dez, zona Centro-Sul de Manaus, ou no PortalCIÊNCIAemPAUTA. Para acessar a mais recente edição e outras, clique.

CIÊNCIAemPAUTA, por Alessandra Karla Leite e Marlúcia Seixas

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