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Novembro Azul – Mitos e verdades sobre a próstata e a saúde do homem

*Por Dr. Celio F. Nascimento

A cada dia, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença. Essa é a segunda maior causa de morte por câncer em homens no Brasil. São estimados para este ano 68.220 novos casos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Apesar dos avanços terapêuticos, cerca de 25% dos pacientes com câncer de próstata ainda morrem devido à doença. Atualmente, cerca de 20% ainda são diagnosticados em estágios avançados, embora um declínio importante tenha ocorrido nas últimas décadas em decorrência, principalmente, de políticas de rastreamento da doença e maior conscientização da população masculina.

É importante salientar que não existe ação preventiva no sentido estrito de evitar o aparecimento do câncer de próstata, mas buscar fazer o diagnóstico o mais precoce possível é essencial para aumentar a taxa de sucesso e as opções de tratamentos curativos.

É importante esclarecer que além do câncer, a próstata pode apresentar outros problemas como seu crescimento benigno, que atinge 50% dos homens acima de 50 anos, gerando dificuldade de micção, e a prostatite, que é a inflamação da glândula.

Frente a essa realidade, a Sociedade Brasileira de Urologia criou o Novembro Azul, que busca chamar a atenção para o diagnóstico precoce do câncer de próstata e também para a saúde do homem de forma global.

O início da avaliação do risco de câncer de próstata começa aos 50 anos, mas para homens negros, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata, as avaliações devem começar aos 45 anos. Os exames deverão ser realizados após uma análise dos fatores de risco pelo urologista e ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente. Após os 75 anos, poderá ser realizado apenas para aqueles com expectativa de vida acima de dez anos.

Em consulta rotineira o paciente é avaliado pelo urologista, que além do exame do toque retal, solicita a dosagem do PSA (antígeno prostático específico) que é feita no sangue e, em conjunto com o exame físico, auxilia na suspeita de doença. Nos casos indicados, é solicitada uma biópsia transretal da próstata, para confirmação de diagnóstico.

A próstata tem um formato aproximado de uma castanha portuguesa, só está presente no homem e localiza-se logo abaixo da bexiga, envolvendo a uretra, aquele canal por onde passa a urina. É uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino, produzindo um líquido que se junta à secreção da vesícula seminal e do testículo para formar o esperma.

A próstata cresce pouco até a puberdade, quando passa a sofrer influências mais intensas do hormônio masculino (testosterona) alcançando seu tamanho normal, em torno de 15 a 20 gramas, por volta dos 20 anos. Já está provado que seu crescimento está relacionado com o envelhecimento.

Alguns mitos e verdades sobre o câncer de próstata

O câncer de próstata é uma doença do idoso.

MITO: Apesar de o risco para a doença aumentar significativamente após os 50 anos, cerca de 40% dos casos são diagnosticados em homens abaixo desta idade. Entretanto, a doença é rara antes dos 40 anos.

PSA aumentado é sinal de que tenho câncer de próstata.

MITO: O antígeno prostático pode apresentar alterações em várias situações que não o câncer, como a hiperplasia benigna da próstata, prostatite (uma inflamação) e trauma. Por isso, é importante a avaliação médica e o toque retal.

PSA baixo é sinal de que não tenho câncer de próstata.

MITO: Estima-se que o câncer de próstata está presente em 15% dos homens com níveis normais de PSA, daí a importância do toque retal.

Ter pai, irmão ou tio com doença aumenta meu risco.

VERDADE: A hereditariedade é um dos principais fatores de risco para a doença. Um parente de primeiro grau com a doença duplica minha chance. Dois familiares com a doença aumentam essa chance em cinco vezes. Para quem tem casos na família, o recomendado pela Sociedade Brasileira de Urologia é procurar um urologista a partir dos 40 anos.

Todos os casos de câncer de próstata precisam de tratamento.

MITO: A indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, como estado de saúde atual, estadiamento da doença e expectativa de vida. Em casos de tumores de baixa agressividade, há a opção da vigilância ativa, na qual periodicamente se faz um monitoramento da evolução da doença, intervindo se houver progressão da mesma.

O câncer de próstata sempre apresenta sintomas. Então posso esperar os sintomas para procurar o médico.

MITO: Em estágio inicial, quando as chances de cura beiram 90%, a doença não apresenta qualquer sintoma. Geralmente, os principais sintomas relacionados à próstata são devido a hiperplasia prostática, crescimento benigno da glândula, como jato urinário mais fraco, sensação de urgência miccional ou esvaziamento incompleto da bexiga, entre outros.

Homens negros têm maior risco de desenvolver a doença.

VERDADE: Estudos apontam que afrodescendentes têm risco 60% maior de desenvolver a doença e a taxa de mortalidade é três vezes mais alta.

O sedentarismo pode aumentar o risco para desenvolvimento do câncer de próstata.

VERDADE: O sedentarismo e a obesidade estão relacionados a alterações metabólicas que podem levar a alterações moleculares responsáveis pela gênese da neoplasia.

A atividade física regular tem um papel relevante na prevenção e no tratamento.

VERDADE: Essa prática saudável pode agir de modo protetor e tem sido um fator modificável para o câncer de próstata por causa dos seus potenciais efeitos:

. Fortalecimento imunológico

. Prevenção da obesidade

. Capacidade do exercício em modular os níveis hormonais.

. Redução do estresse.

*Dr. Célio F. Nascimento é urologista do Hospital IGESP.

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