Por Thais Lima, Coach Criacional, analista comportamental, estrategista e desenvolvedora de carreiras

No abril azul que foi denominado como o mês do autismo eu não podia deixar de pesquisar e trazer algumas informações importantes sobre este tema.

Desde a minha infância convivi de uma maneira muito próxima com uma pessoa com TEA. Temos a mesma idade e crescemos juntos e a verdade é que a pouco tempo o autismo era muito pouco falado no Brasil, mas com o aumento de diagnósticos de transtorno do espectro autista (TEA) as informações começaram ser divulgadas de forma mais ampla. Apenas a título de curiosidade, li um estudo que até os anos 2000 tínhamos um caso de autismo em cada mil. Hoje este número já está na casa de 1 caso para cada 55 crianças.

Agora o que se houve falar muito menos é sobre como pessoas com o transtorno do espectro autista estão sendo inseridas no mercado de trabalho.

Segundo a ONU 80% das pessoas com transtorno do espectro autista não trabalham.

E essa falta de inserção muitas vezes se dá pela simples falta de conhecimento das empresas ou mesmo das famílias de iniciativas que logo vou comentar.

O primeiro ponto importante na identificação da capacidade e adequação no mercado de trabalho é a verificação da intensidade do espectro autista.

Cada autista pode ter ou não ter uma série de demandas e requisitos.

As mais comentadas são:

dificuldade em se expressar (verbal e não verbal)
falar ou não falar
capacidade de compreensão
estereotipias
manias
repetições
interesses restritos
Contudo, o mais importante é avaliar o grau de ajuda que esse profissional pode vir a ter.

A heterogeneidade e os graus de intensidade que variam de leve a severo serão essenciais para avaliar a disponibilidade, bem como eventuais interesses e necessidades que os autistas podem ter.

O meu amigo seguiu para a sua paixão por carros. É um excelente mecânico. Pode falar horas sobre o tema e tem um conhecimento absolutamente profundo de motores.

Atualmente, consegui identificar inúmeras empresas no ramo de tecnologia que possuem frentes de contratação de pessoas com autismo. SAP, Microsoft e Auticon são algumas delas.

Isso sem mencionar na empresa chamada Specialisterne (http://br.specialisterne.com/) que especializada em formar e contratar pessoas com autismo.

Outra forma de estímulo e inserção é o desenvolvimento de trabalhos artísticos, li lindos relatos de autistas severos que criam estatuas de barro ou mesmo quadros.

Segue abaixo alguns dos pontos de destaque das aptidões de pessoas com TEA no mercado de trabalho que a Specialisterne comenta:

Aptidão matemática, tecnológica, musical e artística
Excelente capacidade de concentração, especialmente nas atividades de que gostam· Habilidades visuais proeminentes
Talento para atividades repetitivas e para dedicar-se à realização de tarefas metódicas sem perder a concentração
Uma grande capacidade para compreender e lembrar de regras, padrões e conceitos concretos
Excelente memória de longo prazo, sobretudo para fatos, estatísticas, etc
Adesão às normas
Honestidade
Do lado da família vale o esforço, dedicação e o estímulo nessa inclusão, muitas vezes por medo ou receio acabamos não abrindo esta possibilidade e existe um mundo de oportunidades que podemos estar deixando de ver.

Por parte dos envolvidos na rotina de trabalho fica a missão de entender quais são os dons, os talentos e as coisas que podem vir a incomodar um colega com autismo, como por exemplo, o contato visual e a falta de rotina.

Conhecimento, flexibilidade e disponibilidade são os fatores que envolvem essa frente pouco mencionada, mas cada vez mais relevante no que diz respeito às pessoas com autismo.

Thaís Lima – Estrategista e desenvolvedora de carreiras – Cliente Comunica Me