Que ele é considerado um dos melhores jogadores de basquetebol de todos os tempos e um dos maiores atletas de sua geração, todo bom fã de esporte sabe. O que muitos desconhecem é que LeBron James passou por muitas dificuldades e descobriu no esporte sua tábua de salvação e ascensão social. Filho único de Glória James, que lhe deu à luz aos 16 anos, LeBron raramente ia a escola, pois vivia se mudando. Em um único ano, chegou a perder cerca de cem dias letivos.

Foi graças ao olhar atento de Frank Walker, pai de um dos colegas de LeBron, que o garoto teve a oportunidade que precisava para brilhar. Frank o levou para morar em sua casa: foi a primeira experiência que teve com o que, anos mais tarde, James chamou de “família de verdade”.

Para retribuir o incentivo que recebeu, LeBron fundou em julho de 2018 a “I Promise School” (Escola Eu Prometo) em sua cidade-natal – Akron, Ohio. O projeto atende crianças em situação de risco e com baixa aprendizagem, selecionadas em parceria com o sistema de educação pública da cidade.

São exemplos como esse que nos mostram a força do esporte como ferramenta de transformação social. E o mais importante: é uma via de mão dupla. Quando chega no ápice, o atleta não esquece de suas origens, como acontece com tantos astros de outras áreas. Muito pelo contrário, ele faz questão de retribuir tudo o que o esporte lhe proporcionou, criando e implementando projetos que oportunizem a outras crianças e adolescentes a chance de virar o jogo.

Não faltam histórias que comprovem o poder social do esporte e nos encham de esperança. Por exemplo, Gustavo Kuerten, maior jogador de tênis do Brasil, hoje está à frente do Instituto Guga Kuerten (IGK), que tem sede em sua cidade-natal – Florianópolis, Santa Catarina. Entre outras atividades, o projeto atende 700 crianças e adolescentes, oferecendo, no contraturno escolar, oficinas de tênis, cultura e esportes complementares.

“O tênis sempre me proporcionou muito mais do que eu esperei. E agora eu pretendo retribuir ao tênis tudo que ele trouxe para a minha vida”, declarou o jogador. Guga também teve um início de carreira difícil, com diversas dificuldades financeiras, pois perdeu o pai ainda jovem. Sua mãe foi quem perseverou para custear os campeonatos e treinos, impulsionando Guga a se tornar o melhor jogador sul-americano da história do tênis, com títulos em 13 países.

O medalhista olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima também faz a sua parte em instituto homônimo no interior de São Paulo, apoiando 220 crianças e adolescentes com atividades psicopedagógicas, reforço escolar, formação profissionalizante e núcleos de iniciação ao atletismo.

Quando criança, Vanderlei trabalhava em lavouras de café e cana-de-açúcar. Para chegar a tempo na escola, tinha que correr. A dificuldade virou oportunidade quando foi percebido por um treinador da escola, que o convidou para o atletismo. Vanderlei tinha 12 anos na época – e não parou mais. Passou a figurar entre os maiores maratonistas do mundo e teve a consagração nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, quando recebeu sua merecida medalha olímpica.

Os exemplos não param por aí. Poderia aqui citar tantos outros e encher páginas e mais páginas com a história de atletas e de seus projetos capazes de transformar a realidade de comunidades carentes e vulneráveis. Em um País onde o esporte ainda não é valorizado e reconhecido como agente de desenvolvimento e inserção social, tendo em vista o corte de 87% do orçamento do Ministério do Esporte para 2018, nos enche de esperança saber que mais e mais atletas estão voltando às suas origens e retribuindo todos os benefícios que o esporte trouxe para suas vidas.

Fernanda Letícia de Souza é professora nos cursos de Licenciatura e Bacharelado em Educação Física do Centro Universitário Internacional Uninter.

Giulia El Halabi

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