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“O povo não deve temer seu governo. O governo que deve temer seu povo”

Já dizia um velho ditado popular: “Quem não gosta de política, será governado por aqueles que gostam”. Professor de História mostra que, em 2020, o grande número de abstenções e a desilusão com o sistema político devem servir para que a população reflita a importância do processo eleitoral para a nação.

Terminou mais um processo eleitoral no Brasil. Partidos de direita e de esquerda perderam espaço com o fortalecimento do famoso “centrão”. O resultado surpreendeu especialistas, que viram que tanto o ex-presidente Lula quanto o presidente Jair Bolsonaro não tiveram seus candidatos eleitos nos grandes centros. O que traça para 2022 é uma eleição com os partidos de centro com muita força, determinaram os cientistas políticos.

Mas ao mesmo tempo, o que percebeu neste ano é um grande número de abstenções. Seja pela pandemia ou pela descrença no sistema eleitoral, o fato é que muita gente deixou de votar neste ano, e isso pode ser explicado por pensadores ao longo da história. No século XV, foi escrito um livro por um pensador chamado Maquiavel em que suas ideias seguem valendo para os dias atuais. Com a obra “O Príncipe”, o autor mostra que ele já entendia bem naquela época como funcionava a política e a sociedade para aquele período, afinal, ele era muito próximo aos Bórgias, família importante e forte da Santa Sé.

Ao analisar toda a estrutura política e social, Maquiavel escreve em seu livro que: “O príncipe deve fazer com que seu povo não o tema, mas sim o respeite, pois esse é um dos tripés que o príncipe não poderá perder apoio”. Segundo o professor de História, Ueldison Alves de Azevedo, “os tripés que ele menciona da época são: igreja, nobreza e o povo. Hoje qual é o tripé da sociedade contemporânea? Óbvio: Partidos, mídias e o povo.”.

Voltando ao século XV, o professor lembra que “a nobreza perdeu espaço para os ideais individuais, com foco para a liberdade de cada cidadão, viés este iluminista do século XVII. Com o declínio da igreja no século 18 e o boom da segunda revolução industrial do século XIX, a mídia tem um espaço jamais visto na história da humanidade. Tanto os ideais iluministas e a mídia como sinônimo de progresso humano, fazem uma combinação perfeita substituindo o antigo tripé maquiavélico”, conta. Recentemente, na década de 50, Marshall McLuhan, um estudioso profundo sobre as mídias, já falava qual a função e a importância da mídia, pessoas são levadas segundo ele a serem frias ou quentes: “Quando a mídia consegue mexer com o inconsciente das pessoas, os sentimentos são apurados, isso seria mídia quente, diferentemente das pessoas que não são tocadas. E pelo o slogan do individualismo e a liberdade geral, começamos a difundir partidos e várias ideologias políticas”.

Enquanto isso, falando da sociedade brasileira, o professor conta que ela tem “uma grande tendência a ser alienada ao governo seja qual for os lados e seguir como ovelhas obedientes sem questionar naquele governo eleito. Em 1789 e 1917, foi uma demonstração da não obediência ao governo, a queda da monarquia, governo déspota, violento, mas quando o povo se levantou, não sobrou espaço para o governo. Logo a queda foi inevitável”.

Enquanto isso, Ueldison destaca que no Brasil, “estamos muito distantes desse despertar como fizeram os franceses e os russos. A história brasileira é repleta de governos déspotas, não precisa colocar temor na cabeça da nação brasileira, continuamos nas amarras do cabresto. Como diz o slogan: ‘somos uma nação bondosa, de braços abertos’, mas digo que continuamos bestializados como já dizia José Murilo de Carvalho”, completa

As próximas eleições no Brasil serão em outubro de 2022, e lá serão escolhidos o presidente da república, os 27 governadores dos estados e do Distrito Federal, um senador por estado, deputados federais, distritais e estaduais.

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