POR SÁLVIA HADDAD

Esta semana começa uma nova fase na novela Velho Chico, que eu não perco por nada. E o tema central é um amor que sobrevive à passagem de quase 30 anos. Isso que a novela esta propondo pode parecer surreal pra algumas pessoas, mas eu acredito no poder que alguns acontecimentos tem de nos marcar à ferro e fogo.

O tempo passa e passa. A gente até se surpreende com o tanto de tempo que já passou, mas é só viver um dia de fragilidade, é só deitar a cabeça no travesseiro e as lembranças pulam vivas como nunca, como um livro fechado há tempos que é aberto de repente. Os cenários se montam, o brilho aparece, as cores são ressaltadas e o coração nos lembra que a única coisa que passou foi mesmo o tempo.

E é só aquilo que temos hoje: as lembranças do que foi vivido, do que foi dito, do que se viu no olhar do outro, ainda que não revelado pela boca. Revive-se tudo, para o bem ou para o mal.

Sim porque recordar é viver, como dizia o poeta. Mas se viver o recordado não é mais possível, recordar se torna uma morte, um desejo incessante, guardado dentro do livro que necessitamos abrir de quando em vez, só para ter certeza que aquela história não foi um sonho.

E aí fecha-se o livro para abrir os olhos e continuar vivendo, na certeza de que o tempo apaga muita coisa, mas que nem tudo está ao alcance do passar dos dias. Ainda existem meia dúzia de histórias vividas que permanecem imune aos ponteiros do relógio.