Palestra sobre a ansiedade do atleta no período de competição atrai mais de 100 pessoas na Vila Olímpica de Manaus

Dando continuidade ao ciclo de palestras realizadas pelo Centro de Treinamento e Alto Rendimento da Amazônia (CTARA), mais de 100 pessoas foram recebidas na manhã de sábado (20/10), às 8h, no auditório da Vila Olímpica de Manaus, na avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, zona centro-oeste, para participar da palestra “A ansiedade do atleta no período de competição”, ministrado pela psicóloga Anne Jacqueline Esteves. O CTARA é um projeto do Governo do Amazonas, sob a administração da Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel).

O coordenador do CTARA, Carlos Júnior, disse que palestras como essa são muito importantes para o aprendizado dos atletas, independente da modalidade. “Buscamos sempre trazer assuntos interessantes, que envolvam e auxiliem o atleta na prática de seu esporte. Vale ressaltar que, nessa busca por atividades e palestras de excelência, temos uma equipe que nos dá todo o suporte e não posso deixar de agradecer por isso, até porque se hoje conseguimos fazer um trabalho voltado para o esporte de alto rendimento, é graças ao apoio que recebemos tanto da nossa equipe quanto da Sejel e do Governo do Amazonas”, destacou.

Para o atleta de alto rendimento do CTARA, Bryan Oliveira, de 17 anos, a ansiedade é algo que lhe prejudica bastante e, na palestra, ele pode aprender a se concentrar mais. “Sofro muito com ansiedade, me sobrecarrego e isso me prejudica bastante na prática do meu esporte. Me cobro em excesso e fico extremamente frustrado quando não consigo o que almejo. Hoje, tive a oportunidade de aprender a lidar melhor com este problema e isso é muio bom, porque se pudermos observar onde estamos errando, teremos um aproveitamento melhor em nossas provas e os resultados serão extremamente positivos”, afirmou.

Especialista em Psicologia do Esporte e mestranda em Saúde e Clínica no Desporto, a psicóloga Anne Jacqueline Esteves falou sobre a ansiedade e os fatores de risco desse problema. “A ansiedade é um estado emocional que todo indivíduo tem e deve ser equilibrado. A partir do momento que há exageros, a ansiedade passa a ser patológica, causando angústias e danos à pessoa, como é o caso do atleta que fica tão ansioso que acaba sentindo dores no estômago, enjôos, entre outros sintomas. É preciso trabalhar esse problema antes, durante e após as competições, de modo que isso possa ser controlado da melhor maneira possível e não atrapalhe ou prejudique seu desempenho”, avisou.

Além do alerta para o problema, a palestrante falou também sobre as formas de minorar a questão emocional. “Estar perto de pessoas positivas e que acreditem em seu potencial é uma das formas de minimizar o problema e nesse quesito, a presença do técnico é muito importante, porque ele pode ser um grande aliado do atleta em busca de resultados positivos. Além disso, o redescobrimento, a confiança em si mesmo são as armas para que haja mais segurança na prática de qualquer atividade esportiva, e isso deve ser trabalhado constantemente, mas sem exageros. Essa palestra contribui bastante para essa aceitação e espero que aqui, isso seja bem absorvido”, disse.

Controle – Técnico de alto rendimento do CTARA na modalidade judô, Gláucio Mendonça afirma que hoje, um dos grandes problemas da seleção amazonense é o sentimento de inferioridade diante dos grandes centros e isso acaba afetando o desempenho da equipe. A palestra nos prepara para situações que envolvem não apenas o adversário, mas serve de exemplo a nós mesmos. “Essa palestra vem trazer dinâmicas e exercícios que podem auxiliar o atleta a atingir sua performance máxima e vencer esse paradigma entre as regiões Norte, Sudeste e Sul. Vale lembrar que nas lutas, o risco de lesão é maior e isso aumenta a ansiedade. No judô, há um ditado que diz que a única vitória que perdura é a que tivemos sobre a nossa propria ignorância, então, precisamos nos conhecer e nos dominar, antes de querer vencer nosso oponente, e isso é uma forma de nos manter tranquilos diante de nós mesmos e de nossa ansiedade enquanto atletas”, concluiu.

FOTO: MAURO NETO/SEJEL