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Pandemia fez cair em 60% o número de cirurgias para incontinência urinária no SUS

No mês em que completa um ano do covid-19 e lembramos a conscientização mundial da Incontinência Urinária, SBU realiza ações de conscientização do problema que afeta 45% das mulheres e 15% dos homens, acima de 40 anos

Com intuito de alertar a população sobre o diagnóstico e a importância de tratamento da incontinência urinária, a Sociedade Brasileira de Urologia realiza uma campanha virtual de alerta. Dados mostram como a Covid-19 agravou o tratamento de diversas doenças, entre elas a incontinência urinária, e de acordo com números do Ministério da Saúde, em 2020, houve uma redução de 60% dos tratamentos cirúrgicos para o problema, quando comparado com 2019.

A SBU realizou, em fevereiro, um levantamento on-line sobre a incontinência urinária. De acordo com 44% dos participantes, a pandemia de Covid-19 atrapalhou/retardou o tratamento da incontinência. Dos respondentes com incontinência, 77% disseram que ainda não retomaram seu tratamento. “É importante ressaltar que a realização de procedimentos cirúrgicos eletivos (sem urgência), durante a pandemia, deve seguir critérios. Pacientes que já apresentem outras doenças crônicas e idosos, talvez precisem aguardar um melhor momento para serem tratados. Incontinência urinária é uma questão de qualidade de vida e não de risco de vida”, reforça o Dr. Carlos Sacomani – diretor da Sociedade Brasileira de Urologia de SP.

No Brasil, um grande estudo epidemiológico recente avaliou mais de 5.000 indivíduos, com idade acima de 40 anos, e residentes em cinco grandes capitais brasileiras (representando as cinco regiões geográficas do país) e mostrou que 45% das mulheres e 15% dos homens apresentam incontinência urinária. Alguns fatores de risco são: idade; ter muitos filhos (na mulher); diabetes, obesidade, presença de doenças neurológicas, cirurgias na próstata (especialmente para tratamento do câncer).

Estudos demonstram que pessoas com incontinência costumam ter pior qualidade de vida, maiores níveis de ansiedade e depressão, redução na produtividade no trabalho e podem se afastar do convívio social e da intimidade com o (a) parceiro (a) por causa das perdas de urina. A incontinência também pode aumentar o risco de quedas entre os idosos. Finalmente, mas não menos importante, em alguns casos a incontinência pode ser causada por um problema de saúde mais grave, como infecções, pedra na bexiga, doenças neurológicas e até tumores da bexiga ou próstata.

Tipos de incontinência urinária

O tipo mais frequente de incontinência é a incontinência urinária por esforço: quando o paciente perde urina ao tossir, carregar peso, espirrar ou até mesmo sentar-se e levantar-se. Isso acontece sobretudo em mulheres que tiveram muitos filhos ou decorrente de cirurgias de próstata. A incontinência urinária de urgência ou bexiga hiperativa: quando existe uma vontade repentina e incontrolável de urinar durante o dia e no período da noite, podendo comprometer o sono. Embora muitos considerem a perda involuntária de urina como “algo natural” da idade, essa condição pode ser tratada, sob risco de impactar profundamente a qualidade de vida do paciente, já que essa situação gera ansiedade, depressão, redução na produtividade no trabalho e afastamento do convívio social e da intimidade com o parceiro.

O medo de molhar a roupa, sobretudo em público, ou de perder urina na intimidade de um contato com o parceiro, ou de ser reconhecido pelo odor da urina, costuma causar muita preocupação e, mesmo, limitações de toda a ordem. Por exemplo, já começa na escolha das roupas, no gasto com absorventes, na preocupação constante. Muitos pacientes que sofrem disso fazem mapeamento dos banheiros para se precaver, sobretudo os que têm incontinência de urgência, quando a bexiga dá o primeiro sinal e já tem que ser “prá já”. Algumas pessoas deixam de participar de atividades sociais que gostavam, como ir a passeios e excursões com amigos, compartilhar quarto ou, mesmo, encontrar um novo parceiro. Algumas pessoas se tornam ansiosas ou depressivas e com baixa autoestima, se sentindo envelhecidas, doentes, sem interesse ou perspectivas.

Tratamento

Os pacientes que enfrentam este problema contam com apoio multidisciplinar para o tratamento da doença. A mudança de alguns hábitos de vida pode fazer a diferença, como evitar excesso de líquidos, urinar periodicamente, tratar constipação e outros problemas clínicos como diabetes e obesidade. Além de medicamentos, que são utilizados sobretudo nos casos de bexiga hiperativa, a incontinência de esforço pode ser tratada com procedimentos cirúrgicos de baixo risco e rápida recuperação, como a cirurgia de sling, quando se coloca uma faixa sob a uretra. Outros tratamentos para incontinência urinária incluem a aplicação de toxina botulínica, o implante de marcapasso da bexiga e o implante de esfíncter artificial.

Foto: Acervo pessoal

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