Pediatra explica como manter a segurança de bebês e crianças dentro e fora de casa

Cuidados com roupas, andadores e brinquedos são algumas das seis dicas que o médico separou para ampliar a segurança das crianças

Nunca é demais lembrar a importância de manter as crianças seguras e protegidas, especialmente quando ainda são bebês e requerem mais atenção e cuidados devido a sua dependência e dificuldade de expressar dor, sofrimento, além da falta de noção do perigo. Da escolha das roupas, passando por móveis, carrinhos e brinquedos, tudo precisa ser pensado para a sua segurança e conforto. Com a ajuda do pediatra Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros, especialista pela Sociedade Brasileira de Pediatria e autor do livro: Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses, elaboramos algumas dicas básicas para orientar pais e cuidadores.

– Roupas: durante os primeiros meses de vida o bebê tem a pele mais sensível a processos alérgicos e por isso é indicado que suas roupas sejam de tecidos naturais e leves, como algodão, linho e lã (dependendo do clima). Importante também evitar babados e laços que possam ser manuseados pela criança e se enrolar em mãos e pescoço. Considere também o tamanho ideal para garantir a perfeita movimentação da criança.

Ainda sobre processos alérgicos é contraindicado o uso de amaciantes e outros produtos químicos com cheiro forte na lavagem das roupas das crianças.

– Mobiliário: é preciso estar atento não apenas com o quarto do bebê, mas com a casa em geral, visto que ele cresce rápido e logo começa a explorar todos os cantos. Tudo o que tenha quina pontiaguda, especialmente de vidro, pode oferecer riscos (mesas, aparadores e cômodas, por exemplo). Se não for possível mudar os móveis é indicado colocar adaptadores de silicone especialmente desenvolvidos com esta finalidade para minimizar possíveis impactos. Evitar também deixar ao alcance os bibelôs e outros objetos decorativos de materiais quebráveis, como cerâmica, louça e vidro. E ainda, tampe tomadas com fitas adesivas ou protetores próprios para isso.

Dentro do quarto da criança evite excesso de prateleiras, tecidos e tapetes que possam acumular pó, incluindo cortinas pesadas. Dentro do berço, nada de bichos de pelúcia e cobertas cheias de babados e fitas que podem se enrolar na criança ou atrapalhar a sua mobilidade e respiração.

– Brinquedos: a legislação do setor exige a identificação na embalagem sobre a idade recomendada para cada tipo de brinquedo e deve ser obedecida, porque considera não apenas o aproveitamento do brinquedo, mas as contraindicações, como a presença de peças pequenas que podem se soltar e serem engolidas, por exemplo. Mesmo assim, é preciso ficar atento até mesmo aos indicados e considerar a manutenção contínua. Olhos e botões de bichinhos, bem como rodinhas de carrinhos, são alguns itens para especial observação.

– Carrinho do bebê: cada fase da criança oferece um modelo de carrinho, mas é possível comprar um que se adapte ao maior número de fases. “Quando a criança está no primeiro mês e dorme junto aos pais o modelo “Moisés” pode ser indicado, mas depois é preciso considerar a introdução alimentar a partir dos seis meses com acessório de inclinação para as refeições e cinto de três pontas, que prende todo o tronco do bebê e evita que ele escorregue ou tombe para frente.”, explica o pediatra.

– Andador: apesar de projetado para estimular o andar na verdade o andador causa mais malefícios que benefícios. Embora dê mobilidade à criança ele pode fazer com que ela se acomode sobre o conforto das rodas e não exercite o equilíbrio e a força necessários para andar corretamente. Além de viciar o corpinho em uma postura errada de tronco e pernas, ele ainda pode gerar acidentes ao permitir o deslocamento para locais onde possa cair, como escadas.

– Cadeirinha para carro: a recomendação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) é enfática de que a cadeirinha no banco traseiro é indispensável do nascimento aos sete anos de idade. Ela deve ser usada sempre, mesmo para curtas distâncias, sendo o acessório essencial para a segurança da criança em casos de acidente. O modelo usado deve seguir a tabela de compatibilidade de idade e peso orientada pelo Conselho.

Dr. Sylvio Renan explica que todas as medidas indicadas não têm a intenção de limitar as descobertas da criança, mas de assegurar que ela experimente o mundo com segurança e bem-estar. “Os olhos e a atenção dos pais são os principais itens de segurança, mas não devem comprometer o desenvolvimento físico e emocional da criança”, completa.

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros:

O Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros é formado pela Faculdade de Medicina do ABC, tem especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla). Sylvio Renan atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo.

Atualmente divide seu tempo em sua clinica, a MBA Pediatria, e à literatura médica para leigos.

Livros publicados: Seu Bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses; e Pediatria Hoje – Orientações fundamentais para mães, pais e cuidadores.