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Peixes-bois que vivem em semi-cativeiro voltarão a nadar nos rios da Amazônia

Aptos retornarem à natureza, quatro dos onze animais que estão em semi-cativeiro em Manacapuru serão reintroduzidos à natureza. Os peixes-bois chegaram filhotes ao Inpa, e todos foram vítimas da caça ilegal. Veja aqui o cronograma e as etapas da soltura em detalhes no fim da matéria

*Da redação da Ascom
Foto: Acervo Ampa

A reintrodução dos quatro peixes-bois (Trichechus inunguis) acontecerá no dia 28 pela manhã, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, distante 70 km de Beruri (AM), onde serão levados do semi-cativeiro em Manacapuru (AM). E nos dias 16 e 17 seis peixes-bois serão levados do parque Aquático Robin Best, localizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), para o mesmo semi-cativeiro em Manacapuru, para futuramente serem soltos na natureza.

O retorno dos peixes-bois para natureza é o resultado de mais de quatro décadas de pesquisas do Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa em parceria com a Associação Amigos do Peixe boi (Ampa), onde os pesquisadores ampliaram o conhecimento sobre a biologia desta espécie endêmica da Amazônia e desenvolveram técnicas para conservá-la.

Segundo o Biólogo colaborador da Ampa, Diogo Souza, as primeiras tentativas de reintrodução ocorreram em 2008 e 2009, com a soltura de quatro machos adultos, dois em cada ano. “No primeiro ano, nenhum sobreviveu. No ano seguinte, os animais foram encontrados muito debilitados. Apenas um resistiu e voltou para o Inpa, adaptando-se novamente às condições do cativeiro”, contou.

Ainda de acordo com Souza, o Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia passou por mudanças e houve a criação da etapa de semi-cativeiro, em um lago fechado de 13 hectares. “Por ser um projeto de longo prazo, as experiências e resultados são extremamente importantes para traçar as diretrizes de manejo e conservação dessa espécie endêmica e vulnerável da Amazônia”, comentou, enfatizando que a fase de pré-soltura (semi-cativeiro) é fundamental para auxiliar a readaptação gradual dos peixes-bois criados em cativeiro às condições dos rios amazônicos.