Pioneiro no Brasil, programa promove a reabilitação de crianças surdas na rede de ensino em Manaus

Com 11 anos, a estudante Ellen Cardoso Duarte só descobriu a imensa variedade de sons e até a fala há quatro anos. Ela nasceu com surdez profunda bilateral e é uma das 21 crianças e adolescentes da rede municipal de ensino de Manaus atendidas pelo Programa de Implante Coclear (PIC), que promove a inclusão e reabilitação de crianças surdas.
“Depois que a minha filha começou o processo de reabilitação, o comportamento dela mudou. Era muito tímida e, hoje, é comunicativa, fala com todo mundo. Só tenho a agradecer a toda equipe do programa”

O PIC é uma proposta pioneira entre as escolas públicas no Brasil. E, na semana em que se celebra o Dia Nacional dos Surdos (26 de setembro), a Prefeitura de Manaus também comemora os 5 anos do Programa de Implante Coclear em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), que já beneficiou, aproximadamente, 40 estudantes das redes pública e privada de Manaus.

O implante coclear é um aparelho eletrônico de alta tecnologia, colocado cirurgicamente dentro do ouvido de pacientes com surdez profunda e bilateral, ou seja, nos dois ouvidos, que não utilizam próteses auditivas convencionais. O equipamento estimula diretamente o nervo auditivo, por meio de pequenos eletrodos, que levam os sinais até o cérebro. Como a cirurgia ainda não é realizada pela rede pública estadual do Amazonas, as pessoas atendidas em Manaus, geralmente, realizam o procedimento na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, e em Campinas, São Paulo.

Reabilitação

O trabalho é desenvolvido por uma equipe multiprofissional, composta por fonoaudióloga, psicopedagoga e uma psicóloga da Gerência de Educação Especial (GEE) da Semed que, por meio do atendimento ao aluno no período pós-implante, iniciam as terapias de desenvolvimento da fala, prejudicada pela deficiência. O atendimento acontece com hora marcada, de forma individual e também coletiva, na sala 308 do Complexo Municipal de Educação Especial (Cmee) André Vidal, localizado na zona Centro-Sul de Manaus.

Nas terças e quartas-feiras, é atendido um grupo de três crianças acompanhadas pelos pais ou responsáveis, que participam de atividades envolvendo sons e comandos. Nos outros dias da semana, o atendimento acontece de forma individual para crianças recém-implantadas e que necessitam de mais atenção.
“O nosso atendimento não é apenas para as crianças implantadas, os pais também precisam participar da reabilitação. Em casa, é necessário que eles continuem o processo, replicando as atividades que estão relacionadas às habilidades auditivas e também checar o aparelho, para que a criança continue ouvindo”

Inclusão

Na Semed, a criança recebe o atendimento pelo PIC até estar totalmente reabilitada, por esse motivo é interessante que a família identifique, o mais rápido possível, a deficiência e receba o implante. É o caso de Euler Vieira Neto, hoje com 15 anos. Segundo a mãe, Keilah Ayres, o menino recebeu o implante aos 4 anos de idade. Na época, Euler era aluno de uma escola particular e, lá, não recebeu o apoio necessário nos primeiros anos de implantado. Foi no PIC que a família recebeu o apoio para evolução do adolescente.

“Meu filho participou do projeto até os 14 anos. No início ele não falava nada e na escola (particular) tinha muita dificuldade, porque os professores não sabiam como lidar com a deficiência. Foi quando eu conheci o PIC que ele começou a se desenvolver. Hoje, é um adolescente com a vida normal, que interage com qualquer pessoa”

A pequena Emanuele de Lima, de 3 anos, é aluna de uma escola particular e passou pela cirurgia em maio deste ano, em um hospital de São Paulo. Ela faz o processo de reabilitação na Semed-Manaus. Segundo a mãe, Renata de Lima, o trabalho que o programa desenvolve com as crianças e a família é muito importante para o acompanhamento e a evolução.

“Minha filha começou a ser atendida este ano e o que a gente aprende é de suma importância para que, em casa, a reabilitação continue. Tudo o que eu aprendo faço com ela em casa. Não adianta só fazer o implante é necessário esse acompanhamento para que a criança tenha uma vida normal”