Polícia Militar implanta modelo de gestão cívica em escola na zona norte de Manaus

A Polícia Militar do Amazonas implantou, na manhã desta quinta-feira (11/10), o Projeto Escola Segura e Cidadã na Escola Municipal Deputado Ulysses Guimarães, na zona norte de Manaus. Essa é a quinta instituição de ensino da capital a receber o projeto que leva a escolas públicas, municipais e estaduais, a metodologia de ensino aplicada em escolas da corporação no Amazonas. O projeto é coordenado pelo Comando de Policiamento de Área Norte (CPA-Norte) da Polícia Militar.

O projeto conta com a parceria entre Polícia Militar, Secretaria Municipal de Educação (Semed), Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Maçonaria, Rotary Club e grupo de escoteiros. Essa integração entre diferentes instituições voltadas para o combate à criminalidade e ao tráfico de drogas é a estratégia do Programa GuardiAM 24 Horas, coordenado pelo secretário Extraordinário do Estado do Amazonas, coronel da Polícia Militar Walter Cruz.

Os alunos que participam do projeto têm rotinas que melhoram a disciplina, o desenvolvimento emocional e a aprendizagem, além de afastar os estudantes da evasão escolar. Para o secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP/AM), coronel da Polícia Militar Amadeu Soares, a iniciativa ajuda a combater à criminalidade. “Estamos fazendo combate e prevenção, colocando as crianças no caminho do bem e mostrando que é bom ser honesto e que o caminho do bem é melhor do que o do mal”, afirmou o secretário, acrescentando que o senso de civismo estimula as crianças a se tornarem melhores filhos e cidadãos.

Ao todo, são 169 escolas públicas atendidas de alguma forma pela iniciativa, seja com realização de palestras, visitas de policiais militares e acompanhamento da entrada e saída dos estudantes nas instituições de ensino. De acordo com o tenente-coronel Vinícius Almeida, comandante do CPA-Norte e coordenador do Projeto Escola Segura e Cidadã, houve diminuição da evasão escolar, melhoria das notas em escolas em que o projeto já foi implantado. “Tivemos muitos relatos de crianças já cooptadas pelo tráfico e que mudaram a visão de futuro. O ambiente escolar muda, porque o respeito aos professores passa a imperar, além da melhoria da qualidade de ensino como consequência disso”, afirmou Almeida, citando relatos de professores, pais e alunos das escolas onde o projeto já foi implantado. A expectativa do comandante do CPA Norte é que o projeto seja implantando em mais cinco escolas públicas até o fim de novembro.

Graduações – Com a gestão cívica, os estudantes são estimulados a obter melhores notas, a ter disciplina, assiduidade, engajamento na escola, ordem, hierarquia, responsabilidade e organização nos estudos. Os melhores alunos recebem lenços de cores diferentes. São as graduações que lembram as patentes dos militares.

São 85 crianças que receberam as graduações de major-aluno, capitão-aluno, tenente-aluno e sargento-aluno, segundo informou o professor de Educação Física da escola, Jossibaldo Fadoul, que faz o elo entre a Polícia Militar e a instituição de ensino e auxilia na implantação do projeto. “Por bimestre, o aluno recebe patentes de acordo com as notas que obter. Fica uma disputa sadia e, se o aluno se engaja em tirar boas notas, nunca vai perder a patente” disse o professor, acrescentando que os outros alunos buscam melhorar as notas para alcançar graduações mais altas.

Cada uma das graduações tem uma responsabilidade. O aluno que tem a graduação de sargento, por exemplo, precisa manter a ordem, disciplina e estímulo à aprendizagem dos estudantes que sentam na mesma fila de cadeira, que ele senta normalmente, dentro da sala de aula. É a responsabilidade da estudante Sara Estefani Santos Lopes, 13, que ficou muito feliz em receber o reconhecimento. “Cuidar da minha fila é saber que eu estou sendo respeitada e que também estimulo o respeito. Só recebe as graduações os que se dedicam mais e que querem ser algo na vida. Estou muito honrada e muito feliz”, disse Sara enquanto segurava o lenço amarelo que a identifica como sargento dentro do ambiente da escola.

O pai dela, o barbeiro Rodolfo de Souza, 30, acompanhou o recebimento da graduação da filha e disse ter lembrado do respeito promovido nas escolas em décadas passadas. “Está voltando o que a gente via antigamente nas escolas. O projeto mostra que se a criança se dedicar pode crescer na vida sem ir para o caminho das drogas”, disse.

O Projeto Escola Segura e Cidadã prevê, também, que os alunos participem da hora cívica. No último dia 28 de setembro, o projeto foi implantado na Escola Estadual Ana Lúcia Moraes Costa e Silva, no bairro Novo Israel, zona norte.

FOTO: DIVULGAÇÃO/GUARDIAM 24H