Policiais vão responder inquérito por suspeita de homicídio

Foto - reprodução Rede Amazônica

Laudo descarta que adolescente estava armado

O laudo residuográfico realizado pelo Departamento de Polícia Técnico Científica do Amazonas (DPTC) não encontrou presença de pólvora nas mãos do adolescente Hering da Silva Oliveira,15, morto por um tiro na noite de ontem durante o atendimento de uma ocorrência por policiais militares da 5a Companhia Interativa Comunitária na minivila Olímpica do Santo Antônio, zona oeste de Manaus. Com o exame, a versão dos policiais, de que o jovem teria atirado contra eles, está descartada.

Na noite desta sexta-feira (26/10), o secretário de Segurança Pública, Coronel Amadeu Soares, convocou a imprensa para apresentar o laudo e as medidas policiais e administrativas que serão adotadas a partir de agora. Afastados do trabalho nas ruas desde ontem pelo Comando Geral da Polícia Militar, os dois policiais irão responder a um inquérito por suspeita de homicídio do adolescente e uma sindicância no âmbito da Corregedoria Geral do Sistema de Segurança.

As medidas foram anunciadas em conjunto ao lado do Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Cláudio Silva, do Delegado Geral Adjunto da Polícia Civil, Ivo Martins, do diretor do DPTC, Carlos Malom, e do Corregedor Geral, Coronel Hildeberto Santos.

Com o resultado do exame, a Polícia Civil adotou medidas pré-processuais contra os policiais militares já na noite desta sexta-feira. Ontem, logo após o crime, cinco adolescentes que estavam no complexo esportivo e os dois policiais prestaram os primeiros depoimentos.

“O inquérito policial instaurado no 5° DIP vai dar sequência, tomando todas as providências que a lei penal exige. E administrativamente, a Polícia Militar com a Corregedoria do Sistema de Segurança abrirão uma sindicância para fazer as imputações administrativas cabíveis aos envolvidos”, destacou Coronel Amadeu.

O inquérito criminal da Polícia Civil correrá paralelamente a Sindicância Administrativa, reforçou o Comandante da PM. “Com o resultado dessas investigações e conforme o grau de infrações que ficar comprovado, os policiais serão punidos também administrativamente, inclusive com a possibilidade de não permanecerem mais nos quadros da corporação”, ressaltou Cláudio Silva.

Além do homicídio, as investigações também buscarão identificar a origem do revólver calibre 38 apresentado ontem pelos policiais militares como sendo de Hering. Juntamente com a arma do policial, o revólver foi entregue ao delegado que preside o inquérito e será submetido a perícia. “A arma vai para o setor de Balística Forense e acredito que em menos de 30 dias deve sair o resultado”, disse o diretor do DPTC, Carlos Malom.

Segundo o delegado geral adjunto da Polícia Civil, o resultado do exame residuográfico descarta a versão de que o jovem atirou contra os policiais militares e abre outras linhas de investigação sobre o caso.

“A ocorrência deu início com o depoimento dos policiais apontando que teriam sido recebidos a tiros. Esse foi o fato que iniciou as investigações. Com o dado do exame pericial, essa tese é desconstruída porque não havia nas mãos da vítima resíduos de pólvora. Entretanto, ainda não é possível fazer nenhum juízo de culpabilidade de modo que as investigações precisam avançar mais”, enfatizou Ivo Martins.