Historicamente desamparada pelo poder público em todos os níveis – municipal, estadual e federal – a população autista de todo o país ganhou nesta sexta-feira (19/7), o direito a mais uma forma de inclusão: foi publicada no Diário Oficial a sanção do presidente Jair Bolsonaro que inclui no Censo do IBGE os dados sobre esse segmento da sociedade brasileira. A sanção modifica a lei 7853, de outubro de 1989, vigente até então e que não incluía dados oficiais sobre as pessoas que sofrem do transtorno.

A inclusão era uma reivindicação de grupos que defendem crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), que não tem estudos sobre a incidência de casos no Brasil, o que segundo eles, dificulta o planejamento e execução de políticas públicas voltadas a essa parcela da população.

A sanção foi assinada pelo presidente nessa quinta-feira (18), junto ao apresentador de TV Marcos Mion, pai de um autista e ativo nas questões ligadas à causa. A primeira dama, Michelle Bolsonaro, também acompanhou o momento da sanção. Em uma postagem no Instagram, Marcos Mion fez questão de destacar que o ato não seria possível sem a ajuda da primeira dama.

Antes do ato, um grupo de manifestantes cobrava a decisão de Bolsonaro na entrada do Palácio da Alvorada. A expectativa antes da sanção, era de que a proposta fosse vetada pelo presidente, já que, na última sexta-feira (12), Bolsonaro havia postado em seu Twitter um vídeo da presidente do IBGE, Susana Cordeiro Guerra, se posicionando contrária à decisão. Segundo ela, o Censo não tem critérios definidos para fazer o levantamento com precisão. Ela ainda defendia que os dados e questionamentos sobre os portadores do transtorno deveriam ser incluídos na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, a PNAD.