A mensagem para o setor estético é clara: os pacientes querem algo sutil e discreto, mais refrescante, eles estão com expectativas mais realistas
No início deste mês, no Reino Unido, foi publicada uma pesquisa que revelou que os cinquentões estão realmente vivendo a vida e aproveitando a sua aposentadoria, empregando seu dinheiro em coisas que lhes proporcionam prazer, tais como cortadores de grama de última geração, trompetes, viagens ao redor do Reino Unido e até mesmo telescópios ultramodernos para contemplar o céu.

Além disso, a pesquisa, realizada pelo órgão que paga as pensões no Reino Unido, encontrou pensionistas interessados em investir seu dinheiro em cirurgias estéticas, como a mastopexia, o lifting de sobrancelhas e implantes dentários.

De acordo com a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, em 2014, os americanos, entre 55 anos ou mais realizaram 24% de todos os procedimentos de cirurgia plástica, enquanto aqueles com idade entre 40-54 anos realizaram cerca de 34%, a maior porcentagem de todas as faixas etárias.

Uma pesquisa recente da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos (BAAPS) descobriu que, enquanto o número de cirurgias estéticas tem diminuído cerca de 9% desde 2013, os procedimentos discretos e sutis – tais como cirurgia de pálpebras, lifting de sobrancelhas e a transferência de gordura de uma parte do corpo para a outra – praticamente permaneceram inalterados e tornaram-se o novo ideal para muitos que estão na casa dos 50. E esta tendência é particularmente visível entre os que estão com mais de 55 anos, houve um ligeiro aumento do número de pessoas com 55 anos ou mais que estão optando por fazer cirurgias estéticas.

“Isso se deve à liberdade financeira que essa faixa etária está desfrutando, mas também ao fato de a cirurgia estética não ser mais um tabu na sociedade. Hoje, as cirurgias estéticas estão mais baratas e acessíveis”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada (CRM-SP 62.735).

O que desejam os cinquentões?

Os procedimentos mais desejados entre os que estão com 55 anos são os que contribuem para o rejuvenescimento facial. “Este grupo opta por procedimentos não-cirúrgicos como preenchimentos ou a aplicação de toxina botulínica, além liftings de pálpebra ou de sobrancelha, e tendem a não fazer cirurgias grandes no resto do corpo, que normalmente são as eleitas pelo público mais jovem”, explica o diretor do Centro de Medicina Integrada.

Além dos procedimentos para combater os sinais de envelhecimento, há uma tendência de cirurgias de mamas entre as mulheres na casa dos cinquenta, embora não da maneira usual. “As cirurgias corporais que estamos realizando em mulheres mais velhas são, na verdade, atualizações da cirurgia de mama que essas mulheres fizeram quando eram mais jovens. Isso não significa que elas estão aumentado as mamas, muitas vezes, estão apenas fazendo uma atualização da cirurgia anterior, o que pode implicar na substituição dos implantes anteriores por próteses menores ou numa elevação de mamas”, explica Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Uma aparência menos cansada

Para a maior parte dos pacientes com mais de 55 anos, aos optarem por uma cirurgia plástica, o objetivo não é parecer mais jovem, mas ter um olhar, uma aparência menos cansada. “Isso é o que é relevante para essa faixa etária. Eles querem ter uma aparência mais jovial e menos cansada. Preferências estéticas evoluem naturalmente ao longo do tempo. O cirurgião plástico precisa estar atento a esses fatos. Recentemente, vimos homens que ostentam barbas espessas e mulheres com sobrancelhas grossas virarem ícones de beleza. As celebridades agora buscam diminuir o tamanho dos implantes de silicone. Hoje, quem está na casa dos 50 acha que menos é mais, e um ajuste mínimo é o suficiente para que se sintam bem”, diz o médico.