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Prefeitura de Manaus entrega novas cestas básicas a indígenas da RDS do Tupé e adjacências

A Prefeitura de Manaus realizou nesta terça-feira, 16/6, a segunda distribuição de cestas de alimentos para indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé e adjacências. A ação, que é parte da estratégia de enfrentamento aos efeitos da pandemia da Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, doou 33 cestas básicas arrecadadas por meio da campanha #ManausSolodária, para 44 famílias residentes em quatro comunidades ribeirinhas.

Desde o início da pandemia, a determinação do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, por meio do Fundo Manaus Solidária, presidido pela primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro, tem sido a de atender famílias em vulnerabilidade social. Os grupos indígenas instalados em comunidades ribeirinhas se encaixam no perfil dos programas socioassistenciais disponíveis, além de contarem com o acompanhamento do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif) do município.

“No que compete a mim, enquanto prefeito da capital da Amazônia, que esses povos habitam e protegem há milênios, estou fazendo o que posso para garantir a sobrevivência física, histórica e cultural dessa gente, que temos o dever de proteger, sobretudo em meio a essa pandemia. Agora, enquanto amazônida, tenho feito o que me cabe de alertar ao país e ao mundo sobre o risco de genocídio, que correm as várias etnias do nosso Amazonas”, advertiu o prefeito Arthur.

Foram contempladas as etnias tuyuka, dessana, tatuyo, cipiá e diakuru, nas comunidades São João do Tupé e Tatu, na RDS, e áreas adjacentes. As mais de 40 famílias foram beneficiadas pelo trabalho integrado do Fundo Manaus Solidária e secretarias municipais de Assistência Social e Cidadania (Semasc) e Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), responsável pela gestão da reserva.

Segundo presidente do Fundo Manaus Solidária, primeira-dama Elisabeth Valeiko Ribeiro, além da entrega porta a porta de cestas básicas, foi preciso estender a atenção para a área ribeirinha. “Mesmo com as nossas limitações e a grande demanda, conseguimos entregar esses auxílios. É um suporte pontual, que auxilia e ameniza as dificuldades desse momento de pandemia. Peço para que mais pessoas continuem nos ajudando a ajudar quem mais precisa, comparecendo ao nosso drive-thru, nos procurando nas redes sociais e se unindo à grande mobilização em favor do bem”, reforçou.

Para o membro da RDS do Tupé, Genivaldo Castro Meira, cacique Tuyuk, a falta do turismo trouxe dificuldades a comunidade. “Toda vez que essas doações chegam aqui nos deixa muito felizes, espero que essa iniciativa possa se repetir mais, principalmente nesse período tão difícil por causa da pandemia, que fez o turismo parar e a gente sentiu essa perda”, lamentou.

O cacique Dessana, José Maria Fontes Vaz, contou que seis famílias foram beneficiadas e estão ansiosas para a reabertura do turismo. “Essas cestas básicas são o nosso alimento, então a gente agradece muito pela ajuda nessa pandemia, porque dependemos exclusivamente da prefeitura e das doações da igreja. Aqui estamos ansiosos para retornamos nossas atividades quando tudo isso passar”, ressaltou.

Cuidado

Na primeira doação, foram entregues 25 cestas para 23 famílias. O trabalho de referenciamento das famílias foi feito pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Compensa II, que abrange as comunidades indígenas. A estimativa é de que existam, atualmente, 22 núcleos indígenas instalados na RDS do Tupé e localidades do entorno. “O desafio maior é atender as necessidades alimentares desses grupos que, com a pandemia, tiveram o atendimento turístico, sua principal atividade econômica, prejudicada”, explicou o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Antônio Nelson de Oliveira Júnior.

Segundo o diretor de Áreas Protegidas da Semmas, Márcio Bentes, a presença dos grupos indígenas na RDS está de acordo com a finalidade da reserva. “A RDS tem como vocação a possibilidade de criação de atividades econômicas de baixo impacto ao meio ambiente e que possam ser desenvolvidas pelas comunidades locais. O turismo de base comunitária feito pelos grupos indígenas se encaixa nessas características e invoca a preservação natural por essência”, disse.

Membro do Núcleo Indigena Cipiá, Domingos Francis Filho Prado Vaz, é o segundo cacique e representou seu pai para receber os alimentos. “Nós sentimos bastante nessa pandemia, mas também contamos com a ajuda de muitas iniciativas que se preocupam com a gente, com o sustento da nossa cultura. Além das cestas básicas que recebemos da prefeitura, nós temos o auxílio que recebemos da escola municipal, que está parada, mas não deixou de fornecer a refeição”, disse.

Henando Prado Godinho, conhecido como Pinô, no Núcleo Indígena Tatuyo, contou que por serem indígenas têm a cultura de plantar mandioca, pescar e caçar. “Vamos nos virando nessa pandemia, mas sempre aparece uma doação, cestas básicas da prefeitura, entre outros órgãos, que nos ajuda muito nesse período complicado”, comentou.

Fluxo migratório

Nos últimos 20 anos, Manaus vem recebendo um fluxo migratório significativo de grupos indígenas de etnias diversas. Encontram-se instaladas na região do Baixo Rio Negro indígenas de etnias variadas como tuyuka, baré, tatuya, dessana, piratapuia, tukano, karapanã, wanano, arapaço, tariana, kubeo, entre outras.

Não foi registrado nenhuma contaminação de Covid-19 em meio aos indígenas e para que as entregas sejam realizadas, os técnicos das secretarias cumpriram todos os protocolos de segurança, com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), testagem negativa para Covid-19 e higienização das mãos com álcool em gel.

Texto – João Paulo Gonçalves / Semcom e Júlio Pedrosa / Semmas

Foto – Márcio James / Semcom