“Privatizar a Petrobras é reduzir investimentos e empregos no Brasil, sobretudo, na Amazônia”, afirma Zé Ricardo em Audiência

Manaus, 28 de junho de 2021.

Vender os ativos da Petrobras sob a justificativa de reduzir as dívidas da empresa, como também de aumentar a concorrência e assim reduzir os preços, além de gerar mais empregos. Esses foram os discursos dos representantes do Governo Federal, na Audiência Pública para debater consequências da privatização da Petrobras no Norte e Nordeste do Brasil, realizada na tarde de hoje (28), na Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia (Cindra), da Câmara Federal, mas que foram desconstruídos pelos parlamentares autores da proposta, deputado Zé Ricardo (PT/AM) e João Daniel (PT/SE), e por entidades presentes do debate.

O Brasil produz 2,9 milhões de barris de petróleo/dia, sendo o sétimo maior produtor do mundo. Porém, desde o início do processo de privatização, em meados de 2016, a Petrobras desinvestiu 36% nas regiões Norte e Nordeste do país, e não reduziu as dívidas; os preços, sobretudo, da gasolina e do gás de cozinha só vêm aumentando, porque independem de concorrência, fazendo parte da atual política de preço adotada pela Petrobras, baseada no mercado internacional; há aumento do desemprego, cerca de 65% no Norte e Nordeste, e maior precarização das relações de trabalho; e adotando uma estratégia de abertura de mercado, na contramão do restante do mundo, deixando de investir no refino, em terras e águas rasas, mas mesmo assim vendendo esses ativos que dão lucro, para se especializar em águas profundas, onde seria mais rentável.

“É só prática desse governo desinvestir, deixar de investir ou reduzir os investimentos num país ainda em desenvolvimento. Por que estão vendendo a Refinaria de Manaus (Reman)? Não é mais lucrativa, não vão mais fazer refino? Mas se vão vender, alguém vai continuar fazendo esses trabalhos. Isso é conversa fiada. Nenhuma empresa privada compra ativos que não lucram. Quero saber qual o benefício para o país em se desfazer de uma empresa que é lucrativa. Não há garantias de melhoria de serviço ao privatizar. Temos como exemplo o setor energético, que foi privatizado aqui no Amazonas e está prestando um péssimo serviço. Este final de semana teve um apagão e os preços não reduziram”, declarou Zé Ricardo.

Ele ainda destacou que esse debate é imprescindível, já que se trata de uma questão de soberania nacional, sendo que a Petrobras deu grandes contribuições para o setor tecnológico e petroquímico. É também uma grande atratora de investimentos estrangeiros e geradora de empregos. “A Petrobras tem uma imensa importância para o Brasil, principalmente, para o Norte. O país corre uma série de efeitos negativos em privatizá-la e, na Amazônia, as consequências serão drásticas”.

Para o coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), William Nozaki, depois da atual estratégia e política do Governo e da Petrobras, qual o futuro que se espera dessa empresa? “Estão concentrando os investimentos no sudeste do país, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde se encontra a base do pré-sal e de onde vem grande parte da produção da Petrobras. Porém, jamais teria sido descoberto o pré-sal nessa lógica da concorrência de mercado. Em contrapartida, os ativos de refino são sim lucrativos e estão indo para as mãos de empresa, sobretudo, as estrangeiras”, explicou.

E Marcus Ribeiro, coordenador geral do SindPetro/AM, completou que é triste ouvir o discurso do Governo e da Petrobras, que vai na contramão de um processo de desenvolvimento econômico do país. “O que está acontecendo é uma política de privatização, e com discursos mentirosos. Com a privatização da nossa Refinaria, não irão reduzir preços. Teremos muitos desempregos, como aconteceu com a venda de ativos no Nordeste. Essa é a realidade que estamos lutando contra”.

Também participaram desse debate representantes do Ministério de Minas e Energia – Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis; da Gerência Executiva e Estratégia da Petrobras e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

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