Projeto “Oportunizar” forma primeiras turmas de venezuelanos em Manaus

Iniciativa do Centec e do ACNUR qualifica solicitantes de refúgio para o mercado de trabalho local

O Centro de Ensino Técnico (Centec) e a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) realizam na próxima segunda-feira (5 de novembro) a formatura dos primeiros alunos participantes do projeto Oportunizar, que qualifica venezuelanos solicitantes de refúgio para atuarem no mercado de trabalho local.

A entrega dos certificados de conclusão dos cursos profissionalizantes oferecidos pelo projeto acontecerá no auditório do Palacete Provincial, localizado na praça Heliodoro Balbi (praça da polícia), às 19h.

Ao todo, cem pessoas foram capacitadas para as funções de ‘Auxiliar de Cozinha e Confeitaria’, ‘Auxiliar Administrativo’, ‘Manicure, Pedicure e Designer de Sobrancelha’; além de ‘Instalador de Refrigeração e Climatização Doméstica’.

A iniciativa, lançada em agosto e voltada para venezuelanos solicitantes de refúgio, buscou aumentar as chances de acesso a emprego e renda dessas pessoas por meio da oferta de cursos de qualificação e também pelo advocacy com o empresariado de Manaus, visando estabelecer uma rede de empregabilidade na cidade. Implementado pelo Centec, o projeto é financiando com recursos do ACNUR e seus doadores.

De acordo com a diretora do Centec, Eliana Pinheiro, os cursos de qualificação profissional foram elaborados conforme recomendações do catálogo de curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), do Ministério da Educação.

“Visualizamos o bom aproveitamento dos cursos por grande parte dos alunos. Com as oficinas de empregabilidade, conseguimos fazer um planejamento para as áreas com mais oferta de empregos. Com a conclusão da etapa de capacitação, o momento é de buscar as oportunidades de trabalho e acompanhar os solicitantes de refúgio até que estejam devidamente inseridos”, esclarece Eliana.

“O reconhecimento e aprendizado de novas habilidades é um caminho para geração de renda e integração local de solicitantes de refúgio e refugiados. É também o melhor caminho para promover sua autonomia, especialmente os jovens e adultos”, comenta o chefe do escritório do ACNUR em Manaus, Sebastian Roa.

Outro benefício que garantiu a permanência dos solicitantes de refúgio no projeto foi a sua inclusão no sistema do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas, que possibilitou a emissão de carteiras de estudante e facilitou a frequência nos cursos graças à redução do custo da passagem do transporte coletivo.

A diretora do Centec informa que o próximo passo será fortalecer as parcerias institucionais para dar apoio às ações de empregabilidade, além de articular com o Serviço Jesuíta e com o Consulado da Mulher a criação de estratégias de inserção no mercado de trabalho. No dia 15 de dezembro, a coordenação do projeto Oportunizar realizará dois encontros com a rede de empregadores. A data marcará o encerramento do projeto em 2018.

Recomeço – Para quem teve a oportunidade de se qualificar por meio do Oportunizar, o sentimento agora é de dias melhores. É o caso de Gilberto Blanco, o mais novo auxiliar administrativo da cidade, que ao saber da cerimônia de formatura se emocionou e disse que o Oportunizar lhe deu a chance de uma nova vida.

“Nós que viemos da Venezuela precisávamos de uma oportunidade, pois é difícil validar nosso diploma no Brasil. Já o Centec, por meio do Oportunizar, nos proporcionou uma nova profissão. Eu já trabalho como vendedor numa loja de festas, e com o novo diploma vou batalhar por uma promoção. Tenho certeza que a minha formação fará toda diferença”, disse.

Assim como Blanco, Norkys Vasile espera que, a partir de agora, as portas do mercado de trabalho estejam definitivamente abertas para ela. Segundo a sua avaliação, o curso trouxe novos horizontes, além de capacitá-la com excelência para atuar no mercado local.

“Aprendemos muito no curso de qualificação. Sabemos que esse foi um passo importante para nossa inserção no mercado. Se tiverem outras oportunidades, quero fazer mais cursos. Agora posso falar que estou pronta para começar a trabalhar e viver uma nova vida”, relatou Vasile.

A presença da população venezuelana no Manaus tem aumentado nos últimos anos, como reflexo do fluxo de venezuelanos que deixam seu país devido aos desafios políticos, socioeconômicos e de direitos humanos. Mais de 8.800 solicitações já foram feitas por venezuelanos na cidade desde 2017 até agosto deste ano.

Em Manaus, abrigos administrados por organizações da sociedade civil têm acolhido famílias venezuelanas no âmbito da estratégia de interiorização conduzida pelo governo federal. Os abrigos são apoiados pelo ACNUR e por parceiros locais. Cerca de 600 pessoas estão acolhidas em abrigos da cidade, sendo que pelo menos 180 chegaram à cidade por meio da estratégia de interiorização.