Depois da saia justa e dos questionamentos causados por uma nota criticando o Supremo Tribunal Federal, o PT tomou uma decisão: vai fechar voto favorável à ação da Justiça que afastou Aécio Neves, do PSDB de Minas, do mandato de senador. A bancada petista tem nove integrantes e na próxima semana se reunirá para formalizar seu posicionamento.

No início do mês, a Primeira Turma do Supremo, formada por cinco ministros, afastou Aécio e determinou o seu recolhimento noturno. O PT classificou a decisão como “esdrúxula, sem previsão constitucional, e que não poderia ser aceita por um poder soberano como é o Senado”. O tom da nota foi interpretado como uma marcação de posicionamento. Integrantes do partido, como a própria presidente nacional, senadora Gleisi Hoffmann, do Paraná, são investigados pela Operação Lava Jato. E estariam suscetíveis à mesma determinação.

O Partido dos Trabalhadores teve Aécio como o principal adversário nas eleições de 2014. Além disso, enfrentou a ira tucana pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Líder da minoria na Casa, o senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, garante que a manifestação foi institucional e nada tinha a ver como defesa pessoal de nenhum parlamentar.

“Não, não, não passa por isso, não. Passa pelo entendimento de que a Constituição diz claramente que um senador ou um deputado só pode ser afastado do mandato, só pode ser preso, por exemplo, se foi flagrante delito por um crime inafiançável. E não pode se afastado do mandato a não ser por uma decisão da própria Casa, da Câmara ou do Senado”

Para Humberto Costa, há indícios suficientes que justifiquem o afastamento de Aécio Neves do Senado.

“A robustez das provas que foram apresentadas, gravações, interceptações telefônicas, gravação de vídeo, malas com dinheiro que representa uma prova concreta.. Tudo isso justifica que esse afastamento temporário possa acontecer para evitar, inclusive, que haja qualquer tipo de obstrução da Justiça.”

A sessão do Senado que decidirá o futuro político de Aécio está marcada para esta terça-feira, dia 17.

De Brasília, Hédio Júnior

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