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Quatro peixes-bois do semicativeiro do Inpa são devolvidos para os rios da Amazônia

Ainda este ano, o Inpa e a Ampa pretendem reintroduzir à natureza mais animais que estão em cativeiro e semicativeiro . “Tanque não é lugar de peixe­boi. O lugar deles é nos rios”, afirmou o diretor da Ampa, Jone César

Fernanda Farias (Texto e foto – Ascom Inpa

Mapixari, Iranduba, Paricatuba e Matupá. Esses foram os quatro peixes-boi devolvidos aos rios da Amazônia, no domingo (28), pela equipe do Projeto Mamíferos da Amazônia, uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa).

Os animais, que foram vítimas da caça ilegal, foram resgatados, reabilitados no Inpa e finalmente reintroduzidos à natureza. O local escolhido pelos pesquisadores foi a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus (a 70 quilômetros da cidade de Beruri – AM), região onde dois deles foram resgatados, o Mapixari e o Matupá.

Segundo o colaborador da Ampa, o biólogo Diogo Souza, será realizado um monitoramento constante na área. “A etapa de monitoramento é para saber por onde esses animais estão nadando, se estão se alimentando, se há interação entre eles. Os cintos transmissores que colocamos neles antes de devolvê-los ao rio tem a durabilidade de dois anos, então durante esse tempo vamos conseguir todos esses dados”, informou.

Comunidade Amiga do Peixe-boi

Antes de devolver os animais aos rios, houve a inauguração da Comunidade Amiga do Peixe-boi, em Beruri, onde os peixes-boi foram recebidos calorosamente pelas famílias. De acordo com a coordenadora científica do Projeto, a pesquisadora do Inpa Vera Silva, o envolvimento das pessoas será fundamental para o sucesso do projeto. “É muito gratificante ver que os comunitários abraçaram a causa e vão nos ajudar a conservar a espécie”.

Uma das ferramentas que o Instituto Piagaçu utiliza para a conservação da espécie é a educação ambiental, que segundo o presidente do instituto, Felipe Rossoni, os comunitários participam ativamente das atividades. “A comunidade também participa das tomadas de decisão e das investigações”, revela.

Ainda segundo Rossoni, a área da RDS Piagaçu-Purus é conhecida historicamente como o local em que mais se matou peixe-boi. Mas o cenário está mudando com o envolvimento de todos, inclusive com a mudança de comportamento de ex-caçadores, a exemplo de Raimundo Gomes.

“Antes eu caçava peixe-boi para comer mesmo, até vendia, mas era aqui para a comunidade. Agora não se caça mais esses animais. Nós aprendemos que precisamos ser amigos deles, caso contrário vão desaparecer para sempre. Eu e meus colegas agora ensinamos isso para os nossos filhos e netos. Tem que cuidar do peixe-boi”, relatou Gomes.

Reabilitação

Segundo o veterinário do Inpa, Anselmo d´Affonseca, os quatro peixes-bois que foram reintroduzidos aos rios, estão aptos para retornarem graças à etapa do semicativeiro. “Esses animais passaram três anos no lago para se readaptarem a natureza e assim aprenderem a se alimentar sozinhos. Depois da avaliação vimos que os quatro estão fortes e adaptados o suficiente para sobreviverem nos rios da Amazônia”, contou.

A estimativa do projeto é que mais peixes-bois que hoje vivem no semicativeiro, no lago em Manacapuru, retornem aos rios amazônicos ainda este ano, além de levar mais animais dos tanques do Inpa para o lago.
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