Reajuste de mensalidade em dezembro torna o curso de medicina da Nilton Lins o mais caro do Brasil

Centenas de estudantes do curso de medicina da Universidade Nilton Lins foram surpreendidos com a mudança repentina de valor no boleto de pagamento da mensalidade do curso, neste mês de dezembro. Ao invés de pagar os antigos R$ 7,4 mil para permanecer na instituição, o aluno agora teria de desembolsar R$ 9 mil para custear a graduação todos os meses. Com o aumento, a Nilton Lins passaria a liderar o ranking dos cursos de medicina mais caros do País, segundo dados fornecidos pelo portal Escolas Médicas do Brasil.

Descontentes com o reajuste sem aviso prévio, um grupo de estudantes protocolou, na manhã desta quinta-feira (11), na Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), uma representação para denunciar o aumento e expor possíveis irregularidades no projeto pedagógico do curso, dentre elas, número insuficiente de professores, ausência de hospital-escola e o não pagamento de ajuda de custo – no caso dos alunos do internato rural e internato de pediatria.

Os alunos ainda relatam que teriam sofrido diversos constrangimentos na tentativa de obter a prática médica nos hospitais públicos conveniados com a instituição. “Por várias vezes fomos convidados a nos retirar pelos responsáveis dos hospitais públicos que a Nilton Lins teria convênio porque, segundo eles, o acordo não estava sendo cumprido por parte da universidade, que não pagava material de consumo, preceptores e insumos”, lamenta um grupo de alunos durante encontro com os deputados Sidney Leite (PROS) e Sinésio Campos, presidente e vice-presidente da Comissão de Educação e Cultura da Aleam, respectivamente.

Como medida conciliadora, os parlamentares mobilizaram, ainda, uma nova reunião na universidade com a presença da vice-reitora Karla Pedrosa e demais integrantes do corpo técnico da instituição, para dirimir quaisquer dúvidas e propor soluções. Durante o encontro, ocorrido durante a tarde, os alunos solicitaram não apenas o cancelamento do reajuste, mas a redução do valor das mensalidades até o teto disponibilizado pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que é de R$ 6,5 mil. A universidade analisará a proposta e chegará a um consenso até a próxima segunda-feira (15).

“Nossa preocupação é garantir que estes alunos possam continuar seus cursos e muitos já fazem um esforço gigante para pagar o residual de R$ 1 mil que o Fies não cobre. Com o aumento, esse valor passaria para R$ 2 mil, segundo os alunos, um valor que impossibilitaria a continuidade do curso para muitos deles”, explicou o deputado estadual Sinésio Campos, que também denunciou o aumento da mensalidade na tribuna da Assembleia Legislativa.

Sinésio tem acompanhado as reivindicações dos alunos de medicina da Nilton Lins desde 2013, quando foi por duas vezes à Brasília, em reunião no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), discutir o aumento do teto do Fies para o curso no Amazonas.