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Rinoplastia deve ser avaliada com cuidado para não gerar gatilhos emocionais

O fato de pacientes buscarem a intervenção como uma forma de suprir descontentamentos além da estética contribuem negativamente para a pessoa, alertam especialistas.

A rinoplastia é uma cirurgia plástica que tem como proposta melhorar e harmonizar a aparência. Ao remodelar o nariz, ela também tem o bônus de oferecer bem-estar e autoestima para as pessoas que optam por esse procedimento. Embora seja uma das intervenções estéticas mais populares do país, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica o procedimento superou a lipoaspiração e foi o mais realizado em 2020, é preciso equilíbrio para que essa alteração não seja gatilho para doenças emocionais.

De acordo com um levantamento da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, 87% das pessoas que procuram uma cirurgia estética se sentem mais felizes com a imagem corporal em geral, além de se contentarem com a parte do corpo que foi mudada. Os dados mostram como a relação entre intervenções estéticas e emocionais são diretas.

À exemplo da rinoplastia, um nariz desproporcional pode ocasionar uma visão distorcida do indivíduo sobre si, afetando, inclusive, suas relações pessoais e interpessoais, gerando prejuízos sociais e comportamentais. “É comum vermos pessoas acreditando que a cirurgia plástica resolverá problemas e frustrações pessoais, tais como insegurança com a autoimagem, rejeição à fotos e isolamento social, atitudes provenientes de uma possível rejeição com si mesmas. Pacientes com tal comportamento, dificilmente, estarão satisfeitos com qualquer resultado apresentado pela rinoplastia”, alerta Eduarda Granato, psicóloga especializada em psicologia da saúde pela PUC Rio.

Embora a intervenção cirúrgica possa atenuar ou modificar os aspectos físicos indesejados e trazer significativa melhora da autoestima, refletindo assim, na autoconfiança, o médico otorrinolaringologista e cirurgião Dr. Edson Freitas aponta que não se pode dizer que ela solucionará pendências emocionais ou imperfeições imaginárias referentes a uma condição psiquiátrica. Esse conceito adotado pelo médico é comprovado em um estudo feito pelo Centro de Pesquisas e Análises Heráclito.

Cuidados com os exageros

De acordo com o neurocientista Fabiano de Abreu, em meio ao cenário de pandemia, muitos indivíduos buscam procedimentos estéticos como uma maneira de alcançar a liberação da dopamina, hormônio neurotransmissor da recompensa. “Quando a ansiedade é constante, aumenta-se a necessidade da liberação de neurotransmissores que possam trazer sensações de prazer, principalmente devido a atmosfera negativa que nos colocamos ao acionar o sistema límbico como modo sobrevivência”, comenta.

O perigo desta interação é que disfunções nos neurotransmissores podem resultar em falta de percepção da realidade e o paciente pode passar a não entender o ideal do exagero. “Mesmo a cirurgia sendo realizada de maneira eficaz, atingindo a beleza procurada, o paciente nunca está satisfeito, sendo acometido por uma necessidade constante de mais e mais conquistas”, alerta o neurocientista, que defende que entender a verdadeira razão da cirurgia estética é crucial para, também, cuidar da saúde mental do paciente e definir a diferença numa necessidade real, ou um aprimoramento estético necessário, dos exageros.

Análise psicológica é fundamental

Em casos em que essa relação de dependência fica clara, Fabiano de Abreu e Eduarda Granato apontam que que fazer uma consulta psicológica no pré-cirúrgico é uma forma honesta do profissional resolver a verdadeira necessidade do paciente e buscar, através duma visão externa e racional, a real necessidade da cirurgia, inclusive, aumentando a credibilidade do profissional, resultando em mais fidelidade dos pacientes a longo prazo.

Em sua clínica, o otorrinolaringologista Dr. Edson Freitas une a avaliação médica da cirurgia de rinoplastia com uma análise psicológica, realizada por profissionais da área, que buscam avaliar a motivação, garantindo que se trata de um desejo genuíno e não uma tentativa de se enquadrar ao padrão de beleza imposto pela sociedade. “O objetivo é alinhar as expectativas com as possibilidades reais e técnicas. É comum atender pacientes que idealizam um nariz ‘perfeito’ com base em filtros de aplicativos, por exemplo”, aponta Dr. Edson Freitas.

Trabalhar os medos e anseios do paciente, explicando os riscos e possíveis complicações, descrever, dentro do possível, a rotina do grande dia é essencial para que o indivíduo tenha acesso às informações necessárias e entenda o motivo pelo qual deseja realizar a rinoplastia, garantindo satisfação estética e mental.

Foto: Acervo pessoal

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