Seap encerra programação especial para a população LGBTQIA+ com arte e diálogo

Para comemorar o sucesso da programação especial voltada para a população LGBTQIA+ do sistema prisional do Amazonas, que teve início na última terça-feira (13/07) e chegou ao fim nesta quinta-feira (15/07), a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) preparou uma manhã repleta de música, arte, poesia e diálogo com convidados, ouvintes e internos do grupo, no Centro de Detenção Provisória de Manaus 2 (CDPM 2), localizado no km 8 da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista).

Hoje, o público presente pôde assistir uma apresentação musical de violino da musicista Luma Figueiredo, que interpretou a canção “Não Recomendado”. Em seguida, foi a vez de o musicista João Figueiredo encantar a todos com a clássica peça musical de “O Lago dos Cisnes”, do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovsky. Após esse primeiro momento, foi aberta a roda de conversa para um debate sobre direito e diversidade.

Participaram da composição da mesa a Juíza Federal, Ana Paula Serizawa Silva Podedworny; o Professor Doutor André Luiz Machado das Neves, do Programa de Pós-graduação em Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania (PPGSP) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); a integrante da Associação de travestis, transexuais e transgêneros do Amazonas (ASSOTRAM), Michele Pires; a presidenta da Associação Manifesta LGBTQIA+, Karen Marinho; acompanhada do vice-presidente do Manifesta e coordenador geral da Casa Miga, Lucas Brito; a chefe do Departamento de Reintegração Social e Capacitação (Deresc) e representante do Grupo Específico do Sistema Prisional do Amazonas, Keyla Prado; e o médico psiquiátrica, Thiago Aguiar.

Segundo André Machado, a promoção de discussão de pautas relacionadas à comunidade LGBTQIA+ nos espaços é essencial para a inclusão social do grupo na sociedade. “Discutir hoje sobre direito e cidadania, o direito de ser-humano, é uma oportunidade para a gente estar produzindo transformação social, para estarmos produzindo exatamente o que mais queremos, que é a reinserção deles dentro da sociedade, que consigam se ver como humano e não como algo estranho e errado”, avaliou.

No primeiro dia da programação, os internos assistiram um documentário sobre a temática, e tiveram uma roda de conversa sobre os procedimentos legais quanto à custódia de pessoas LGBTQIA+ no sistema prisional brasileiro. No segundo dia, eles puderam conhecer mais sobre a Casa Miga, instituição que acolhe pessoas do grupo em situação de vulnerabilidade social, e debater sobre a história da sexualidade e saúde mental.

A juíza federal, Ana Paula Podedworny, comentou sobre a mudança que tem notado no tratamento para com o público-alvo no sistema. “Esse evento foi de suma importância, considerando todo o histórico do sistema penitenciário, uma coisa que poucos anos atrás seria impensável e hoje em dia estamos aqui, discutindo e efetivando direitos. É um avanço notável no sistema, eu como estudante da UEA e também como juíza criminal fico feliz em participar dessas palestras trazendo conhecimento e a efetivação de direitos”, disse.

A programação foi coordenada pelos setores de psicologia e serviço social da cogestora New Life Gestão Prisional.

FOTO: Divulgação/Seap