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Semanas de Inovação Suécia-Brasil tem abertura na FIEAM

Representantes do governo da Suécia, empresas, instituições de ensino superior e Governo do Estado do Amazonas abriram ontem (16), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), as Semanas de Inovação Suécia-Brasil para debater e viabilizar parcerias estratégicas em busca de inovação, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável.

Para a vice-presidente da FIEAM, Cristina Calderaro Corrêa, o ambiente de colaboração entre os dois países é extremamente salutar e necessário. “Há exemplo da aviação militar, com o intercâmbio na alta tecnologia que certamente abrirá oportunidades também para a Suécia na economia brasileira, hoje tão presente em diversos segmentos. Nesse aspecto, destacamos a necessidade de ampliarmos a presença do capital sueco na nossa região, especialmente em investimentos de longo prazo em áreas que envolvem inovação para o desenvolvimento de soluções que reduzam os impactos ambientais”, relatou.

O encontro contou com a participação do vice-ministro da Inovação, Emil Högberg, e da embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Skoog. Ambos reafirmaram o modelo de Hélice Tríplice como uma forma de acelerar a criação de novos produtos e obter o sucesso no mercado baseado em resultados de pesquisa e sustentabilidade.

“Acreditamos muito no modelo de Hélice Tríplice, que une a universidade-empresa-governo. Sabemos que é um processo contínuo de aceleração da inovação que tem sido importante para focar na pesquisa e nas áreas promissoras, minimizando as desconexões entre os atores que precisem uns dos outros”, disse Emile Högberg.

A Suécia está entre os países mais inovadores do mundo e também entre os menos corruptos, destacou Högberg. Ele citou, como um dos fatores que contribuem para essa realidade, a economia aberta na Suécia, que permite processo de criação sem a intervenção governamental. “Em março, o Brasil e a Suécia assinaram um novo protocolo que altera o acordo para evitar a dupla tributação entre os países, refletindo nos esforços para modernizar a rede de acordos tributários. A nossa comunidade de negócios está muito feliz e esperançosa para que isso leve a intensificação da troca econômica entre os dois países”, contou Högberg.

A embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Skoog, afirmou que a Suécia tem interesse em estabelecer intercâmbio e apoiar projetos de inovação no Amazonas, em parceria com o governo e as instituições privadas. “Esta é minha primeira viagem no Brasil, assumi o cargo há menos de duas semanas, então é muito significativo o destino ser a Amazônia, tendo em vista, toda a atenção global em cima da preservação e sustentabilidade”, explicou ela.

Caminhando junto, universidades e governo estadual

Presente no evento, o governador do Amazonas, Wilson Lima, afirmou que iniciativas destinadas a evolução em tecnologia e inovação para o estado podem ser trabalhadas nos potenciais da mineração, turismo e bioeconomia, mas, para que isso possa ser revertido em riquezas para o cidadão local, é preciso contar com o aporte da iniciativa privada.

“O estado tem que ser mínimo, o trabalho que estamos fazendo é um trabalho de indutor, de fazer essa aproximação, reunir esse conteúdo da academia e aproximá-lo da iniciativa privada, para que em algum momento isso possa caminhar sozinho.

De acordo com a reitora da Universidade Nilton Lins e cônsul honorária da Suécia, Gisélle Lins Maranhão, essa articulação entre indústria, governo e universidades, é essencial para o desenvolvimento de projetos de inovação, que só começam a dar frutos quando todos estão alinhados. “Precisamos trabalhar unidos. Se a indústria trabalhar inovação sem escutar a universidade, sem ter apoio do governo e sem ter essa articulação, demora mais, nós vamos perder tempo”, pontuou Lins.

O estreitamento entre Suécia e Brasil já vem sendo desenhado há bastante tempo, com projetos que já estão dando frutos, como é o caso do Gripen, entregue no último dia 10 para a Força Aérea Brasileira (FAB). Para Lins, a realização da semana de inovação no Estado do Amazonas, precisamente em Manaus, com a presença da nova embaixadora Johana Skoog, já é um ganho.

Em outubro também acontecerá à semana de inovação e tecnologia na Suécia, Estocolmo, com o tema “Mineração Sustentável”, e nada melhor do que pegar experiência com um país que já trabalha na mineração sustentável há muito tempo, que tem muito a mostrar para os empreendedores do nosso país e estado, explica Lins, que espera ver o interesse do governo do estado, indústrias e universidades em participar do evento para que possam traçar um caminho juntos, falando a mesma língua.

O reitor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Sylvio Puga, apresentou o projeto da universidade em Tripla Hélice para o desenvolvimento regional: O caso do Arranjo Produto Local de Madeira, Móveis e Artefatos do Amazonas, baseado em pesquisa do professor da Faculdade de Tecnologia (FT), Nelson Kuwahara, coordenador do Laboratório Transportar, do Departamento de Design e Expressão Gráfica.

O projeto tem como justificativa mostrar que o Amazonas possui arranjo produtivo local de madeiras, móveis e artefatos, além de potencial logístico para comercialização de produtos regionais em mercados internacionais ou mesmo no centro sul do Brasil. “Não conseguimos atender às demandas, porque entre outras situações os moveleiros regionais não possuem capacitação técnico-científica para produzir e comercializar mobiliários e artefatos para os grandes mercados do Brasil e do exterior”, disse Puga.

Foto: Divulgação

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