Segundo a ATP, é possível melhorar a eficiência logística da navegação a partir do aumento do calado do local

As perspectivas da navegação na região do Barra Norte, no Rio Amazonas, com enfoque nos ganhos econômicos, é tema da palestra do diretor-presidente da ATP (Associação dos Terminais Portuários Privados), Murillo Barbosa, no primeiro dia do Seminário sobre os Aspectos Gerais da Navegação em Lama Fluida e sua Aplicabilidade no Arco Lamoso da Região da Barra Norte do Rio Amazonas. O evento promovido pela Diretoria de Portos e Costas será realizado nos dias 23 e 24 de junho, no auditório do Sebrae em Macapá (AP).

Durante sua fala, Murillo também irá trazer detalhes sobre o projeto Barra Norte, liderado pela ATP, que visa aumentar a segurança da navegação na cabeceira Norte do Rio Amazonas e melhorar a eficiência logística a partir do aumento do calado do local. “A expectativa da ATP é de que, mesmo não considerando a lama fluida existente no Arco Lamoso que fica a cerca de 60 km da Ilha do Curuá, possamos navegar com total segurança em um calado de, no mínimo, 12,50 metros”, afirma o presidente da Associação.

O Seminário contará com a presença do comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Ilques Barbosa Junior, do presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, e do governador do Amapá, Antonio Valdez. Além de parlamentares e representantes dos diversos segmentos do setor portuário. O evento tem como propósito o aprofundamento de conhecimentos sobre navegabilidade na região e temas relativos ao aumento de calado com o aproveitamento do regime.

Avanços no Projeto Barra Norte

Há dois anos a ATP atua à frente do Projeto Barra Norte, que visa conseguir permissão para ampliação do calado no canal da Barra Norte do Rio Amazonas. A mudança permitirá que os navios transportem maior quantidade de carga, melhorando a eficiência e diminuindo os custos logísticos no Norte do País. A região é rota de escoamento da safra de grãos e de minério, principalmente do Centro-Oeste, e registra aumento do volume transportado ano a ano, impulsionado pelos recordes na produção de soja e milho.

A iniciativa tem como base um estudo acadêmico, elaborado pela Professora Dra. Susana Vinzon, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A partir do embasamento técnico, a expectativa do projeto é que com a ampliação de apenas 20 cm do calado, cada navio possa transportar 1.800 toneladas a mais do que é comercializado atualmente.

Apresentado aos órgãos executores do setor de transporte e logística, o projeto ganhou apoio do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil (MTPA) e teve convênio firmado com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Marinha do Brasil para a disponibilização de recursos para a sua implementação.

Em relação aos recursos financeiros, o primeiro convênio no valor de R$ 7 milhões foi liberado para investimentos ao longo de três anos. Já o segundo, destinado ao financiamento de estudos sobre a navegação em lama fluida, com recursos de R$ 5 milhões, está previsto na proposta orçamentária do MTPA para 2019 de acordo com a Secretaria Nacional de Portos. A expectativa da ATP é de os testes com calado de 11,90 metros sejam iniciados ainda em 2019.

Sobre a ATP

A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) foi criada em 24 de outubro de 2013 para representar os interesses e atuar em defesa do segmento portuário privado e na modernização dos portos brasileiros. Atualmente representa 28 empresas de grande porte e congrega 55 Terminais de Uso Privado (TUPs) do país. As associadas da ATP, juntas, movimentam 60% da carga portuária brasileira e respondem pela geração de 47 mil empregos diretos e indiretos.