“Em 2012, cerca de 800 mil pessoas cometeram suicídio em todo o mundo – no Brasil estima-se que são 30 por dia. E, pelo menos 90% dessas mortes estão associadas a transtornos mentais não diagnosticados”, disse o médico psiquiatria Luiz Henrique Novaes, em palestra de conscientização e prevenção ao suicídio, no “Setembro Amarelo – Mês Mundial de Prevenção ao Suicídio” no Serviço Social da Indústria (SESI Amazonas).

Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a cada três segundos, uma pessoa atenta contra a própria vida. Por isso, milhões de pessoas são afetadas por casos de suicídio a cada ano, incluindo o luto. Em 2012, o suicídio foi a segunda maior causa de morte de pessoas entre os 15 e 29 anos de idade, em todo o mundo, sendo que 75% dessas mortes em países de baixa e média renda. Também em 2012, o suicídio foi responsável por 1,4% de todos os óbitos no mundo, ocupando o 15º lugar entre as principais causas de morte.

Para o especialista, não existe fator de risco específico: nenhum fator isolado leva ao suicídio, mas há certos fatores que aumentam as chances de alguém apresentar pensamentos e tentativas suicidas, como depressão ou bipolaridade (35,8%), uso de drogas (22,4%), borderline – transtorno de personalidade (11,6%) ou esquizofrenia (10,6%).

Pessoas que demonstram sintomas que se prolongam por duas semanas, como desânimo (tristeza, angústia, aperto no peito, choro fácil), redução do interesse (sem graça, sem motivação, com pensamento de que tudo vai dar errado), e fatigabilidade (cansaço, fraqueza, moleza, corpo pesado), devem procurar ajuda médica.

O especialista alerta que para um tratamento mais assertivo, o psiquiatra não trabalha sozinho, o paciente deve ser acompanhado por um psicólogo, ter ajuda psicossocial e espiritual. De acordo com dados fornecidos pelo “The British Journal of Psychiatry”, pessoas que frequentam serviços religiosos, diminuem em até três vezes o risco de cometerem suicídio.

“Exercícios físicos aeróbicos, como corrida, dança e natação também complementam a recuperação do paciente que se encontra em tratamento médico”, frisa Novaes.

“Assuntos como esses são muito importantes para serem debatidos, e devem ser levados para dentro das escolas, para conhecimento das crianças, pois muitas passam por problemas familiares, são abandonadas e geralmente sofrem com essas situações, chegando muitas das vezes a tirar a própria vida”, disse a professora de ensino religioso, Rosana Ramos, 55 anos, que acompanhou a palestra do especialista, no SESI, ao lado de sua mãe, Rosa Cavalcanti, 81 anos.

De acordo com o especialista, crianças estão entre os grupos de maior risco de suicídio, seguidas de jovens entre 15 e 24 anos, idosos acima de 65 anos, homens divorciados ou separados. Henrique diz que mulheres tentam mais, embora os homens cometam mais o suicídio.

“Crianças não têm discernimento do que acessam no Youtube, Facebook ou qualquer outra mídia digital, sendo responsabilidade dos pais controlarem esses acessos. Equipamentos eletrônicos devem ser repassados aos filhos no tempo certo”, frisa o especialista. Para ele, os pais devem incentivar seus filhos à leitura e à atividade que consumam, de maneira educativa, o seu tempo.

Novaes alerta que cerca de 60% das pessoas que cometeram suicídio nunca foram ao psiquiatra ou ao psicólogo, mas que 80% deles consultaram médicos não especialistas um mês antes do acontecimento.

“Procurar o especialista certo para acompanhar os seus problemas é de extrema importância, pois ele está apto a atender às suas necessidades. Não tenha vergonha de procurar o psiquiatra, psiquiatra não é medico de loucos, é médico de todos que sofrem”, diz Novaes.

No SESI Saúde, o atendimento com o psiquiatra é realizado às segundas-feiras, a partir das 15h, terças-feiras, a partir das 9h, quintas-feiras, a partir das 8h30, e sextas-feiras, a partir das 15h.

O SESI Saúde funciona na Avenida Getúlio Vargas, 1116, Centro, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 20h30 e aos sábados das 7h30 às 11h. Mais informações pelos números 3186-6610 ou 3186-6611.

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