SESI traz esperança a jovens do ViraVida

“Hoje eu vejo a vida diferente, não odeio meu pai nem meu avô, na verdade eu torno tudo o que eu passei com eles uma motivação diária para estudar e sonhar com algo melhor, que eu ainda não sei o que é, mas vou aprender o que é melhor para mim”, disse a aluna do Programa ViraVida do SESI, Luana Braga* (nome fictício) , 17, em depoimento na oficina realizada nesta semana pelo Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti/AM) junto aos alunos de Direito da Universidade Estadual do Amazonas (UEA).

A jovem foi abusada sexualmente diversas vezes na infância pelo pai, usuário de drogas, e ainda por seu avô, enquanto dormia. Hoje Luana aprende a redefinir a sua história, enquanto busca uma capacitação para entrar no mercado de trabalho, como aluna da Educação Continuada do SESI.

“Antes eu não me importava, porque era a minha vida. Hoje levo tudo na brincadeira porque a vida já me fez chorar muito, eu não sabia o que era dar amor para alguém, porque nunca recebi. Estou aprendendo isso aos poucos aqui no Programa”, relatou emocionada para a turma de 41 alunos presentes na oficina do Fepeti.

O coordenador geral do Fepeti/AM, auditor Emerson Costa, explica que, também como professor voluntário da UEA de Direito do Trabalho, pretende estimular tanto o Fórum – que atua não só na repressão do trabalho infantil como na prevenção -, como os alunos da UEA a discutir a temática de trabalho infantil, aprendizagem e estágio.

“Em cada oficina trazemos pelo menos um profissional da rede de combate ao trabalho infantil para que também possam conhecer o público que a gente trabalha, porque o ViraVida tem uma parcela desse universo e busca no Programa uma mudança na vida desses jovens”, explicou Costa.

A partir de exemplos e histórias, como a gravidez precoce, trabalho infantil, tráfico de drogas e abandono de lar, os jovens participantes da oficina foram estimulados a desenvolver o desfecho de histórias que começaram com situações de vulnerabilidade e exploração e que, posteriormente, podem vir a ter um final diferenciado.

“Estamos discutindo projetos de vida e mercado de trabalho, sobre qual a importância de você ter um plano para sua vida para que possa se inserir qualitativamente no mercado, tendo anseios de entrar na faculdade e se capacitar cada vez mais”, frisou ele.

Jogadora de handebol e estudante do 3º ano do ensino médio, a aluna Sabrina Lacerda* (nome fictício), 18, tem o sonho de ingressar na faculdade de educação física e complementar o aprendizado que já tem na prática. Já o aluno Vinícius Moraes* (nome fictício), 18, quer ser engenheiro e fazer curso técnico na área como complemento para entrar em uma empresa como jovem aprendiz.

“Almejo hoje o que nem passava pela minha cabeça, há uns meses achava que não precisava de estudos e que era perda de tempo. Percebo agora que estou desenvolvendo muito mais do que imaginava e tenho expectativas para um futuro que eu não tinha antes”, disse Moraes.

A turma com 41 alunos é formada por jovens de 14 a 22 anos, predominantemente, moradores de bairros e comunidades com alto índice de vulnerabilidade social. Segundo a assistente social do Programa ViraVida, Assunção Pinheiro, o perfil dos alunos faz parte do público-alvo que precisa de orientação para possível inserção no mercado de trabalho.

“A ideia é sempre incentivá-los a buscar seu desenvolvimento humano, trabalhar o resgate da autoestima, emoções e comportamento para entrar no mercado de trabalho. As oficinas trazem essa interação com o público externo, que é também importante nesse processo”, ressalta Pinheiro.