Para fechar a rota do tráfico de entorpecentes pelos rios amazônicos, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) está trabalhando na construção de uma nova estratégia para combate ao narcotráfico nas fronteiras do Estado.

A nova estratégia está sendo elaborada a partir do relatório produzido pela Giuliani Security & Safety (GSS) e pelos estudos do grupo de trabalho coordenado pelo secretário extraordinário coronel da Polícia Militar do Amazonas Walter Cruz, responsável pelo programa GuardiAM 24H. “Consultores da GSS virão a Manaus até o fim do ano para tratar do terceiro eixo da consultoria que é fazer um relatório sobre as fronteiras do Estado. Eles irão fazer observações, ouvir as nossas observações, visitar os locais e falar com a população. Baseado neste relatório que eles elaborarão iremos implementar projetos para dar uma resposta mais eficaz de combate, especialmente, ao narcotráfico nas fronteiras do Amazonas”, disse responsável pelo Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras (GGI-F) da SSP-AM, tenente-coronel PM Almir Cavalcante.

Atualmente, a maior parte do entorpecente que passa por Manaus vem do Peru, segundo dados do GGI-Fronteiras. De acordo com dados da Polícia Federal, a partir de imagens aéreas na área alcançada do território peruano, próximo ao Vale do Javari, anualmente são produzidas 300 toneladas de cocaína na região, o que totaliza, aproximadamente U$$ 1,2 bilhões anuais. Se os dados forem contabilizados desde Loreto, no Peru, o volume de entorpecentes pode chegar a 750 toneladas anuais, segundo a PF.

Segundo o tenente-coronel Almir Cavalcante, o principal objetivo da nova estratégia é fechar a rota do tráfico nas fronteiras do Amazonas, fazendo um trabalho direcionado e em conjunto com órgãos federais, estaduais e municipais tendo em vista que a localização e as distâncias geográficas são barreiras a serem vencidas pelos órgãos de Segurança Pública. “Dentro deste objetivo, temos várias propostas, uma delas é criar um efetivo específico nos moldes do Grupo Especial de Segurança de Fronteira (Gefron), em Mato Grosso, e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), em Mato Grosso do Sul, e a outra é a transformação do 8º Batalhão de Polícia Militar e da Delegacia de Polícia em Tabatinga em Batalhão e Delegacia de fronteira”, disse o tenente-coronel.

A mudança geraria uma alteração do objetivo do policiamento da área, na estrutura disponível com aumento do efetivo e introdução de um grupamento fluvial especializado com lanchas blindadas para que, de posse das informações da Secretaria de Inteligência, os policiais possam atuar com segurança.

Ainda de acordo com o tenente-coronel Almir Cavalcante, os trabalhos devem ser realizados, prioritariamente, além do município de Tabatinga – tradicional rota do tráfico de entorpecentes – em Benjamin Constant, Atalaia do Norte, São Paulo de Olivença, Santo Antônio do Içá, Coari e Tefé, estes dois últimos considerados municípios-chaves por serem classificados como fronteira estendida pelo acesso por via fluvial.

As ações devem impactar, diretamente, as rotas do tráfico de entorpecentes que passam por Tabatinga; pelo rio Iça chegando até Santo Antônio do Iça e pelo rio Japurá, próximo a São Gabriel da Cachoeira. “O objetivo é trabalhar junto com a GSS para traçar uma estratégia não só com a parte repressiva, com polícia e armamento, mas com um trabalho integrado com vários outros parceiros e setores. Temos que unir as forças com o Governo Federal, com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, Ibama, ICMBio, Sipam, para termos um resultado melhor”, disse o tenente-coronel.

FOTO: DIVULGAÇÃO/SSP-AM

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