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Taiwan vai escolher no próximo sábado (11) um novo presidente, em eleições em que, como sempre, as relações com a China têm papel determinante.

A atual líder da ilha, Tsai Ing-wen, de 63 anos, é a favorita para continuar no cargo, juntamente com o Partido Progressista Democrático (DPP), cujo independentismo moderado conquistou a confiança da população da ilha nos últimos quatro anos.

O principal rival de Tsai vai ser Han Kuo-yu, de 62 anos, do Kuomintang (KMT), atual presidente da segunda maior cidade da ilha, Kaohsiung.

Outro candidato é James Soong, do conservador Partido Primeiro o Povo (PPP), a quem as sondagens dão apenas 7% dos votos.

Além da popularidade dos candidatos ou das promessas eleitorais para reforçar o crescimento econômico, os eleitores de Taiwan vão sobretudo escolher o futuro imediato da ilha em relação a Pequim.

Em 2019, Taiwan voltou a perder aliados diplomáticos a favor da China, até ficar com os atuais 15, num ano marcado pelo impacto dos protestos antigovernamentais em Hong Kong e pela maior aproximação com Washington.

Tsai Ing-wen rejeitou o chamado “princípio de uma só China”, mediante o qual só existe uma China, abarcando a ilha e o continente, o que levou Pequim e Taipé a reclamar a totalidade do território.

“As relações eram pacíficas até que Tsai chegou ao poder. Se voltar a ganhar, vai continuar uma espécie de `paz fria` ou de `confrontação fria`”, afirmou o diretor do Centro de Estudos de Taiwan, da Universidade Jiao Tong em Xangai, Lin Gang.

Em resposta, Pequim ofereceu medidas para multiplicar os vínculos económicos e culturais, insistindo, ao mesmo tempo, na reunificação.

No ano passado, o presidente chinês, Xi Jinping, insistiu na possibilidade de uso de força e lembrou que não será tolerada “qualquer ação para dividir o país”.

A República Popular da China vê a República da China (nome oficial de Taiwan) como uma província rebelde desde 1949, quando as tropas comunistas de Mao Zedong derrotaram Chiang Kai-shek, então líder do KMT.

Os nacionalistas refugiaram-se na ilha, independente de facto desde então, mas para Pequim a reunificação é inevitável.

Tsai nunca defendeu explicitamente a independência de Taiwan, mas procurou sempre manter a China a distância e, para isso, comprou armamento dos Estados Unidos e aprovou legislação para limitar quaisquer “interferências chinesas”.

Por outro lado, os protestos antigovernamentais que há sete meses decorrem em Hong Kong deram a Tsai um motivo para recusar a proposta chinesa de reunificação sob o princípio “um país, dois sistemas”, em vigor em Macau e Hong Kong.

O modelo permite que as duas regiões semiautônomas chinesas tenham algumas liberdades que não existem no resto do país.

Para Pequim, essa é a única solução para a ilha. De acordo com o professor Zheng Wensheng, do Instituto para Estudos Taiwaneses da Universidade chinesa de Xiamen, só assim a ilha poderá manter as suas liberdades.

“As eleições não vão mudar o fato de Taiwan ser parte da China. A reunificação é o mais benéfico para Taiwan, é inevitável e acontecerá mais cedo ou mais tarde. Taiwan nunca poderá fugir à China”, afirmou Zheng.

Durante o mandato, Tsai procurou diversificar os parceiros econômicos e comerciais da ilha e tentou diminuir a excessiva dependência da China, ao mesmo tempo que apoiou os grupos aborígenes e tornou Taiwan o primeiro país da Ásia a reconhecer o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“Taiwan mostra crescente identidade própria, num exemplo à comunidade chinesa em todo o mundo”, considerou o professor Sun Kuo-hsiang, do Departamento de Assuntos Internacionais da Universidade taiwanesa de Nanhua.

Já o rival de Tsai, Han Kuo-yu, defendeu o princípio de “uma única China”, rejeitou possível independência da ilha, mas também criticou a proposta chinesa de reunificação. Para o candidato do KMT, deve manter-se o status quo de Taiwan.

Se Han for eleito, “a agenda chinesa de aproximação será ainda mais clara”, adiantou Sun.

Apesar das tensões políticas durante o mandato de Tsai, iniciado em 2016, as relações comerciais aumentaram.