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Trabalho científico voltado ao ensino de migrantes haitianos vence concurso internacional

A estudante premiada pelo artigo utilizou dados baseados em projeto de extensão voltado para o atendimento de migrantes.

O artigo científico sobre a docência no ensino de português para migrantes haitianos, elaborado pela estudante Kamilla Christina Alves, venceu na categoria graduação do concurso internacional IILP-Itamaraty de Artigos Científicos sobre a Língua Portuguesa. O prêmio organizado pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) visa estimular o desenvolvimento da pesquisa e da produção acadêmica. O artigo é fruto do trabalho desenvolvido pela estudante no projeto de extensão do Instituto Federal de Goiás (IFG), que realiza o atendimento de haitianos para o ensino do português.

O documento acadêmico premiado apresenta a perspectiva no ensino de português como língua de acolhimento para estudantes migrantes haitianos, em sistema remoto devido à pandemia, e foi elaborado a partir da coleta de dados realizada durante as aulas ministradas pela estudante do curso de letras do IFG, como professora voluntária, no período de julho a dezembro de 2020. “Durante minha graduação no IFG recebi muitos estímulos à pesquisa e ao compartilhamento de experiências com os colegas. A oportunidade de atuar no projeto me possibilitou o diálogo entre a teoria, que acumulei com as disciplinas, e a prática”, afirmou Kamilla.

O projeto de extensão iniciado em 2017 já atendeu mais de 150 migrantes, haitianos e venezuelanos, de diferentes faixas etárias, na oferta da língua portuguesa em diversos níveis, tanto para o aprendizado inicial do idioma quanto para aqueles que pretendem realizar o Enem, o vestibular ou ingressar no ensino médio. Aliado ao processo de aprendizagem da língua portuguesa o projeto também ofertou oficinas de formação para o desenvolvimento de habilidades em trabalhos como de garçom, de criação de sabonetes artesanais e de bordado. “Enquanto aprendem a bordar os pontos diferentes do bordado, as mulheres foram aprendendo a língua, tanto na oralidade, na compreensão dessa língua, quanto na escrita. Elas bordaram nesse semestre a linha da vida, quais foram os eventos mais importantes para elas na vida delas”, explicou a professora do IFG, Suelene Vaz, coordenadora do projeto.

A iniciativa do projeto com foco em falantes de outros idiomas também visa integrar esses migrantes às comunidades no Brasil, utilizando a língua portuguesa em contexto de inclusão. Essa conexão entre as atividades da instituição com a comunidade por meio do desenvolvimento de ações que possam contribuir com a sociedade são objetivos das instituições que compõem a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. “A Rede Federal desenvolve muitos projetos voltados às populações em suas localidades. Eles atendem aos princípios e às finalidades da Educação Profissional e Tecnológica (EPT), em articulação com o mundo do trabalho e os segmentos sociais, também com ênfase na produção, desenvolvimento e difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos”, ressaltou o secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Wandembeg Venceslau.

Os estudantes, que são voluntários no projeto, também têm a possibilidade de trabalhar com a formação continuada, recebendo a orientação dos professores e exercendo a prática profissional por meio do ensino e da aprendizagem de línguas e aplicação de metodologias para a preparação de aulas.

Durante a pandemia, o projeto mudou a versão, de presencial para remota, sendo realizado de forma on-line, com a finalidade de continuar o ensino do português para o público estrangeiro.

Foto: Acervo pessoal

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